Plantando sementes logosóficas nas aulas de gastronomia
31 de janeiro de 2016 | Wania Suely Moreth Silva

Sou professora universitária do curso de Gastronomia da faculdade Unieuro, tenho em média 160 alunos, divididos em 4 turmas, sendo duas no turno da manhã e duas no noturno.

São turmas bem heterogêneas! No turno da manhã a turma é formada por jovens e não tem experiência profissional, mas tem um ideal de vida, tanto no campo profissional, quanto familiar, social, etc. No noturno em sua maioria são trabalhadores na área da gastronomia. Chegam à faculdade cansados depois de um dia de trabalho, tem em sua maioria as mãos calejadas do trabalho pesado que é uma cozinha industrial ou passaram mais de dez horas em pé trabalhando na área de produção de uma cozinha de restaurante ou hotel. Contudo eles também têm um ideal de ser melhor e oferecer a suas famílias uma condição melhor de vida.

Como estudante de Logosofia, procuro utilizar os recursos docentes dessa ciência tanto no que se refere à convivência quanto no mostrar a transcendência dos conteúdos das diversas disciplinas e principalmente levá-los a pensar nos aspectos relacionados à vida, a posturas do dia a dia para que eles tenham uma visão menos passiva diante dos acontecimentos da vida diária e que possam contribuir de uma maneira mais ativa na vida de relação com os demais.

Em muitos momentos faço reflexões com eles sobre a vida, sobre o pensar, o observar, sobre valores que todo o ser humano precisa cultivar e principalmente tento despertar a aspiração de ser melhor.

Na matéria Comportamento Humano, ao abordar a relação interpessoal, apresento aos alunos o livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, dentre os diversos autores, e mostro como podemos olhar para dentro e mudar para sermos melhores conosco e com os demais. Vão se dando conta de que é possível conhecer as feras internas que todos temos dentro e que isso representa uma grande descoberta.

Certo dia, ao observar uma aluna quieta, apesar de atenta, perguntei-lhe o que estava ocorrendo, pois era uma aluna muito questionadora, “do contra” e sempre apresentava algo que considerava melhor. Ela respondeu-me: “professora, baixei no site o livro Deficiências e Propensões do Ser Humano e descobri que sou verborrágica, vaidosa e quero mudar!”

Na disciplina História da Alimentação vou relatando o grande avanço das diversas civilizações na área de alimentação, e explico que, em toda trajetória, o ser humano foi movido pela necessidade da sobrevivência. Nesse momento, apresento que até hoje somos movidos por essa força que é a necessidade, mas existe outra grande força que é o estimulo. Procuro falar então sobre os estímulos internos e externos e o grande poder dessas duas forças na vida do ser humano.

À medida que o conteúdo vai avançando, vou destacando a evolução inconsciente e mostrando que podemos evoluir conscientemente e as vantagens da evolução consciente em nossas vidas, a importância do saber, a importância de buscar o grande e o permanente em nossas vidas. Assim como o fogo desde a pré-história, quando foi descoberto até os dias de hoje é fundamental para o ser humano, muitas outras coisas devem ser permanentes em nossas vidas. Procuro fazer esse levantamento com eles. Chamo atenção, também, para a evolução física das primeiras formas de cozinhar o alimento, a descoberta do fogão e hoje a evolução das formas de cozimento, dos fornos combinados. Concluímos que, se é possível no plano físico, da vida humana, tantas transformações, é possível também no plano psicológico e espiritual.

Em outra matéria, intitulada Bebidas, tenho procurado favorecer reflexões à luz do ensinamento logosófico sobre o equilíbrio, fazendo referência a linguagem do Criador que nos ensina que tudo tem uma medida certa e como nós, os gastrólogos, podemos auxiliar o consumidor a saber beber com equilíbrio. Não infringir as leis universais é um dever quando se tem o conhecimento sobre elas. Saber que existe uma lei de causa e efeito, de equilíbrio, de correspondência e, ainda, ter conhecimento que menores de 18 anos não podem ingerir bebida alcoólica e que não se pode dirigir após beber faz com que nossa responsabilidade cresça.

Na matéria Serviço de Restaurante, destaco ensinamentos logosóficos sobre fazer a coisas com gosto, fazer bem feito, atender bem o cliente, sobre a honestidade e muitos outros elementos que são importantíssimos para o serviço de restaurante.

Na matéria Higiene, abre-se um leque muito grande, pois ao mesmo tempo que vou ensinando sobre a higiene na manipulação dos alimentos, vou ensinando sobre a higiene na postura, nas palavras e nas ações que todo ser humano precisa ter na vida.

São tantas as oportunidades! Tenho comprovado que podemos aplicar a pedagogia logosófica em todas as áreas do saber, para isso o docente logósofo deve estar atento, realizando o seu Processo de Evolução Consciente e ter o anelo de fazer o bem.

Todos os anos a faculdade comemora o dia da responsabilidade social, quando recebe cerca de 1000 idosos. Ao fazer esta atividade, dá-se por cumprido a sua responsabilidade com os idosos. Cada faculdade prepara algo e os idosos passam um dia diferente do seu cotidiano. Todos os anos, ao preparar com meus alunos o lanche para os idosos, me incomodava essa postura. Em 2015, antes de começar a preparação, conversei sobre o que seria responsabilidade social, o que representava e se seria possível cumpri-la apenas um dia no ano. Tentei chamar atenção dos alunos sobre os idosos que estavam ao nosso redor, suas necessidades e como poderíamos ajudá-los a viver essa fase da vida.

Relatei vivências com alguns familiares e falei sobre a gratidão que devemos ter por tudo que nos proporcionaram. Levantei com os alunos algumas posturas que poderíamos ter no dia a dia, tais como: oferecer o assento do ônibus, ajudá-los a atravessar a rua, a conversar e dar uma atenção aos familiares idosos, ter pequenas atenções, etc. À medida que a conversa ia fluindo, fizemos um levantamento de muitas atuações que deveriam ser realizadas. Mostrei para os alunos que essas atitudes representam para nós e para os idosos e, devem fazer parte de nossas vidas e não só em um dia no ano.

Quando terminei a conversa, experimentei uma alegria interna muito grande e vi nos olhos de alguns alunos que havia um total consentimento com minhas palavras. Esses momentos são grandes e fazem a profissão de professora tomar um sentido maior de construção sobre vidas.

 

Wania Suely Moreth Silva – Professora de Gastronomia

Brasília


 
 

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