O domínio de si mesmo
31 de janeiro de 2016 | Laerte B. Arruda

Havia um aluno que era muito interessado na aula. Sentava-se na lateral da sala, mas sempre na frente. Fazia perguntas pertinentes, mostrando estar acompanhando bem a exposição que era feita. Nas provas era um desastre, não fazia quase nada, a prova sempre estava quase sempre em branco.

No dia da revisão da prova ele lia novamente as questões e perguntava: esta questão se faz assim? A solução deste problema é esta, não é? Quase sempre ele estava certo. Terminou o semestre e como as notas das outras atividades não somavam a quantidade de pontos suficientes para aprovação, ele foi reprovado.

No semestre seguinte iniciou da mesma forma. Percebendo aquela situação, na primeira revisão de provas lhe perguntei: se você conhece a solução, sabe como encontrá-la, por que não demonstra isso na prova? O aluno respondeu: professor eu não sei o que acontece, fico nervoso, minhas mãos transpiram, tenho dor de barriga e não me lembro de nada!

Foi então que pude levar algo sobre os pensamentos, como entidades com vida própria que podem chegar a ter o domínio da própria mente, bloqueando os demais pensamentos inclusive os conhecimentos como aqueles que ele demonstrava ter. Sugeri que lesse o livro logosófico Bases para Sua Conduta. Conversamos várias vezes sobre as deficiências psicológicas, como identificar as circunstâncias em que surgiam na nossa vida e que efeitos têm suas atuações.

Nas duas provas seguintes seu desempenho melhorou consideravelmente, suas notas melhoram e ele nem foi mais nas revisões das provas, pois me disse que já sabia o que tinha errado. Conseguiu os pontos suficientes para a aprovação.

Alguns semestres depois ele veio me contar que estava formando, pois depois que ele percebeu que era capaz, que se mantivesse a mente serena, confiante no conhecimento que ele havia adquirido, os pensamentos de insegurança, de pessimismo e de temor não poderiam mais atormentá-lo. E assim, com o mesmo empenho, concluiu todas as demais disciplinas do currículo do curso.

Grande e grata surpresa eu tive ainda quando poucos anos depois o reencontrei após ter passado em um concurso para professor substituto. Aquele que não conseguia sequer controlar seus pensamentos para fazer uma prova, agora tinha a serenidade bastante para enfrentar um concurso muito disputado, frente a uma exigente banca e, ainda mais, para ser um docente universitário.

 

Laerte B. Arruda

Professor Universitário  – Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Federal de Uberlândia – FECIV-UFU

 


 
 

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