Diretrizes de que a juventude necessita
30 de janeiro de 2016 | Carlos Bernardo González Pecotche

Uma das coisas que mais custam aos adolescentes aprender é o comportamento que corresponde adotar em cada circunstância que se apresenta, no transcurso de seus dias, como um dos tantos obstáculos naturais que aparecem nos caminhos do mundo.

Pode-se dizer que entram às cegas num mundo que lhes é desconhecido, onde se produz o contraste inesperado entre o que conheciam e o que a realidade apresenta a seus incipientes juízos acerca daquilo que esse mundo é em suas múltiplas e variadas tonalidades e aspectos. A pouca idade e a falta de experiência e de saber privam-lhes das mais elementares defesas, tão necessárias para se prevenirem contra os freqüentes abatimentos que, repetimos, ocorrem pela pouca idade e pela inexperiência.

No jovem, a reflexão pouco atua, pronunciando-se somente naquelas situações que intimamente o afetam e ante as quais o entendimento deve eleger a melhor conduta a seguir, mas sem ter conhecimento sobre as mil e uma figuras enganosas que se movem no cenário da aparência, a que muitas vezes toma por realidade para seu próprio mal, já que logo deve experimentar as amarguras desse engano.

Se bem seja certo que, nesses casos, fica a experiência como precedente para preveni-lo em situações futuras similares, tampouco é menos certo que tais situações se apresentem sempre sob novos aspectos e diferentes circunstâncias.

Para o ser que começa a ver a vida nos momentos em que ela se transforma em existência independente e responsável, é de todo indispensável recorrer, para sua melhor adaptação a essa realidade cuja força começa a sentir, ao conselho dos mais velhos, que já experimentaram essas transições; ao estudo e à observação de suas dificuldades e das alheias; e, além de tudo isso, deve realizar uma preparação de caráter integral, que, convocando todas as suas energias para o mais amplo desenvolvimento das faculdades de sua inteligência, possa muni-lo dos conhecimentos que haverão de servir-lhe para se preservar do mal e triunfar nas lutas que precise sustentar contra a adversidade.

Nos centros universitários, o ensino que se ministra é destinado exclusivamente à preparação geral do estudante, à parte a especialização, que exige adquirir os conhecimentos da profissão escolhida; porém, ainda não foi tida em conta a possibilidade de se criar uma cátedra dedicada especialmente à preparação da juventude para a vida, na qual lhe sejam oferecidos todos os elementos de ilustração a esse respeito; uma cátedra que permita aos jovens conhecerem qual deverá ser seu comportamento e sua atuação nas diversas e múltiplas situações que a vida costuma apresentar aos que nela se iniciam.

Tal capacitação traria como resultado, é indubitável, um melhoramento na vida de relação e, propiciado por esta mesma capacitação adequada da juventude para tal fim, um desenvolvimento mais fecundo da cultura.

Não há dúvida de que, com tal diretriz, seria assegurado o livre desenvolvimento das forças juvenis, encaminhando-as para atividades criteriosas que, por si sós, haveriam de significar uma grande contribuição para a sociedade.

 

Carlos Bernardo González Pecotche


 
 

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