Depoimento de ex-aluno – Vanessa Nagem
31 de janeiro de 2016 | Vanessa Nagem

O Colégio Logosófico e a minha vida. A minha vida no Colégio Logosófico. Falar sobre o colégio representa, realmente, falar de grande e importante parte da minha vida.

Cheguei aqui quando tinha 1 ano e 7 meses. Vim com minha mãe que, na época, era professora da escola. Estava dando início à minha vida escolar. É difícil falar sobre tudo o que recebi aqui, pois sei que minha consciência não abarca tamanho bem, tamanha oportunidade. Mas, vou falar um pouco de uma parte que permanece em minha recordação.

Sempre fui muito tímida. Quando falo muito, é porque era muito mesmo. Quase não olhava para ninguém. Conversar então, nem pensar. Que paciência das docentes que me acompanharam para ir trabalhando com aquela menina, para que um dia, ela pudesse decidir participar de uma festinha na escola, após muitas e muitas tentativas! Que vitória! Foi um trabalho conjunto: setor infantil, colégio e meus pais. E hoje, me recordo com muita gratidão desse trabalho, pois vejo o quanto bem essa superação faz em todos os campos da minha vida!

Recordo também que, na adolescência, eu tinha uma fisionomia muito séria. Penso que ainda era fruto dessa mesma timidez e talvez, ou com certeza, de outras deficiências também. Minha mãe sempre procurou trabalhar comigo em relação à fisionomia, aos pensamentos. Foi então que recebi uma cartinha dessa professora, manifestando o quanto gostava de mim, o quanto queria me ver de fisionomia feliz, e disse que parecia que eu não gostava dela, pois minha fisionomia para ela não era muito boa. Aquilo foi um susto para mim, pois eu gostava daquela professora! Fui valente e procurei por ela e manifestei o meu sentir (do jeito que a minha timidez permitiu!) e a partir daí, minha atenção à fisionomia foi muito maior! Em que outro colégio no mundo, isso seria possível?

O pensamento de sair do colégio não passava pela minha mente. Sentia-me segura e feliz naquele ambiente. Tinha muitos amigos (alguns dos quais, até hoje, me acompanham…). E foi durante a adolescência, que resolvi não sair mesmo. Decidi que queria ser professora e dar aulas no colégio. Realmente, essa vocação já me acompanhava. Sentia muita vontade de dar aulas, de ter alunos, de ensinar. Um pouco antes de completar 18 anos, comecei minhas atividades profissionais no colégio. Era professora de crianças de 4 anos e queria fazer o melhor que pudesse! Pensava nos meus alunos o tempo todo, inventando atividades, pensando em como ajudar um ou outro… Sentia a inversão dos papéis: naquele momento, era eu quem poderia ajudar a outros seres. E, com certeza, ainda ser muito ajudada também!

Como professora, sempre recebi muito carinho, muitos estímulos para ser melhor, para me superar. Recordo de, em alguns momentos, não atuar bem frente aos meus alunos, sendo excessivamente enérgica! Meu interno se alterava e eu logo via que não tinha ido bem! Que oportunidade para rever minhas atuações e redimir-me do meu erro. Pude fazer isso algumas vezes em minha trajetória como professora. No dia seguinte, conversava com meus alunos, mostrando que havia identificado algo errado em minhas atitudes e que, como eu estava querendo ser uma pessoa melhor, eu queria falar para eles das minhas observações. Sentia que assim, eu ensinava a eles e a mim mesma!

Ver um aluno superar uma dificuldade, sentir-se mais feliz… Não tem nada igual a isso. É muito bom! Este ano, eu e a outra docente que trabalha juntinho de mim, observamos uma aluna que mostrava-se irresponsável com as tarefas, desestimulada, sem querer estudar e nem escutar os conselhos dos seus pais e professores. Começamos a realizar com essa aluna um trabalho, buscando estimulá-la, mostrando o que ela já tinha de positivo e o que ainda poderia conquistar. Conversamos sobre a possibilidade que os seres humanos têm de se superarem, de não morrerem da mesma forma que nasceram! Planejamos com ela alguns passos, chamamos os pais (que nos apoiaram) e trabalhamos também, com os professores, que teriam um importante papel nesse processo. As mudanças começaram a surgir em sua conduta. Um professor elogiou sua participação. Fomos logo contar para ela, buscando mostrar que a mudança é possível, quando queremos e nos esforçamos. E, assim, temos caminhado… Ela tem se superado. E, nós, docentes, com certeza também. Ao trabalhar com o aluno, aprendemos a conhecer a nossa própria realidade e a trabalhar com ela.

Posso dizer, com todas as letras que fazer parte do Colégio Logosófico, seja como aluna ou como docente, fez e faz toda a diferença na minha evolução! Sou e devo ser, cada vez mais, grata a esse grande bem que recebo todos os dias ao vir para esse ambiente que favorece em muito, o meu processo de evolução consciente!

 

Vanessa Nagem


 
 

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