Depoimento de ex-aluno – Vanessa Fernandes
31 de janeiro de 2016 | Vanessa Fernandes

Um ano e nove meses. Foi com esta idade que uma menininha entrou no Colégio Logosófico.

Muitas vezes ela chegou ao Colégio no colo da mãe, dormindo tranquilamente. Chegava à sala de aula e a professora a pegava carinhosamente e a colocava em um colchãozinho para continuar seu sono.

Naquela época essa menina não sabia por que e para que ia para aquela escola. Ia, na verdade, porque sua mãe a levava e ponto.

Mas o interessante é que esta menina, após as adaptações naturais que uma criança passa quando ingressa em um novo ambiente, começou a gostar daquela escola.

No Colégio Logosófico fez amigos, aprendeu a ler, a escrever, a calcular, conheceu a natureza através das aulas de ciências, conheceu seu país e o mundo através das aulas de geografia. E à medida que foi ficando mais velha, aprendeu tudo que geralmente se aprende quando se trata de matemática, história, geografia, inglês, biologia…

Mas um dia essa menina formou no 3º ano. E assim, após 16 anos no Colégio, se despediu dele e foi viver novas experiências, em novos ambientes.

Hoje, com 26 anos de idade, quando essa menina se recorda do Colégio Logosófico, sente algo muito intenso em seu coração. E se essa sensação puder ser traduzida em uma única palavra, esta será GRATIDÃO.

Mas por que será que ela sente gratidão? O que a faz sentir pelo Colégio este sentimento tão nobre?

Buscando compreender esse sentimento, essa menina decide recordar… E assim, ela volta no tempo.

Milhares de recordações surgem em sua mente: Festas da família, as quais eram precedidas de lindos estudos sobre o valor da família em sua para a vida; aulas afetuosas, onde as professoras buscavam estimular o gosto por adquirir conhecimentos; atividades esportivas, nas quais aprendeu a respeitar o vencedor e a aprender com suas próprias falhas.

Mas uma recordação em especial chamou-lhe a atenção:

  1. Este foi um ano que marcou sua vida.

Em 1991 essa menina tinha uma amiga no colégio. Elas eram inseparáveis, de forma que outra caracterização não lhes poderiam conceder senão a de melhores amigas.

No entanto, havia algo que não estava muito bem nesta amizade. A menininha muitas vezes se deixava levar pelos pensamentos da outra amiga e assim foi se tornando quase uma boneca fantoche, aquela que não pensa ao agir, mas simplesmente segue o que o outro a manda fazer.

Mas seria isso um problema? Se as notas da menina continuavam muito boas, se ela não atrapalhava o andamento das aulas, deveria o colégio se preocupar com isso?

O Colégio Logosófico se preocupou. Durante um tempo as professoras e coordenadoras observaram o que estava ocorrendo. Após, optaram por conversar com os pais desta menina e propor a eles um trabalho conjunto: O colégio e a família ensinariam esta menininha de meros 7 anos a começar a pensar por conta própria.

De uma forma muito discreta e sem prejudicar a amizade que existia entre a menina e sua coleguinha, as professoras começaram a ensinar que tudo que a menina fosse fazer deveria, antes, passar pela cabecinha dela, de forma que ela conseguisse ver se aquela atitude dela seria positiva ou negativa, se sua atitude traria benefícios ou malefícios.

Essa menina, com 7 anos apenas, obteve um ensinamento aprendeu algo importante que mudou completamente o rumo da sua vida, que a protegeu de muitas vivências difíceis que um ser pode ter quando simplesmente segue o pensamento dos demais. E até hoje, quando sente que está sendo levada pelo pensamento de outra pessoa, esta menina para, reflete e busca verificar se este pensamento está voltado para o bem ou para o mal. E após este exercício é que decide atuar, atuação esta, contudo, que já passou pelo crivo do seu pensar e sentir.

Diante desta recordação a menina compreendeu um pouco mais por que sente uma gratidão sincera pelo Colégio e seus docentes: o Colégio Logosófico não a ensinou apenas as matérias necessárias para ser aprovada em um vestibular, mas a ensinou a pensar com liberdade. E isto é o que a tornou hoje um ser humano melhor e mais capaz de enfrentar com valentia todas as lutas naturais de sua vida.

Eu, Vanessa Fernandes Pinto, autora deste artigo, sou a menininha aqui descrita. Hoje cresci e já me encontro distante fisicamente das salas de aula do Colégio Logosófico. Mas em meu coração e em minhas recordações este Colégio permanece vivo, pois cada dia tenho mais consciência da grande participação que ele teve na minha formação não só como profissional, mas como ser humano.

 

Vanessa Fernandes


 
 

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