Depoimento de ex-aluno – Pedro Marinho Sizenando Silva
31 de janeiro de 2016 | Pedro Marinho Sizenando Silva

Se não me falha a memória, a experiência que irei relatar ocorreu na Eu cursava a terceira série do ensino Fundamental no Colégio Logosófico. Estávamos no mês de agosto e envoltos com as comemorações do dia dos pais. Em uma das aulas, foi-nos proposto escrever uma poesia falando da importância da família na formação de cada um. Recordo-me que foi uma atividade muito gostosa de ser feita, pude recordar de diversos momentos felizes que passei junto a meus pais.

Passados alguns dias, não me lembro exatamente quantos, estávamos todos da turma na aula de canto quando a professora nos anunciou que uma das poesias que cada aluno havia escrito foi transformada em música e seria apresentada pela turma para os pais em um dia festivo no colégio. Ninguém sabia qual poesia havia sido escolhida, e pelo menos em mim a expectativa por saber era grande. A professora foi passando de um em um e entregando um pequeno papel com a poesia impressa já adaptada para o formato de música. Qual não foi minha surpresa quando, ao receber o papel, descobrir que a poesia escolhida havia sido a minha. Entretanto, aquela satisfação inicial foi logo substituída por uma sensação de apreensão, criando o ambiente mental propício para a manifestação do pensamento de inibição. Não passou muito tempo, e diversos comentários começaram a surgir sobre a poesia que havia sido escolhida: “esta poesia eu não vou cantar, ficou muito ruim”, “quem foi que escreveu isso?”, “você viu este verso? Eu jamais ia escrever uma coisa assim”. Mesmo com alguns insistindo em perguntar em voz baixa de quem era a autoria daqueles versos, internamente estava tão constrangido com aquela situação, que não fui capaz de assumir que tinha sido eu que escrevera “culpa”.

Devo dizer que naquela época eu ainda sofria bastante com o pensamento da timidez. A aula transcorreu normalmente, ensaiamos a música diversas vezes, mas em momento algum me senti a vontade com aquela situação. Lembro que em algumas vezes, simplesmente fingia cantar a música, movendo minha boca conforme as palavras, mas sem pronunciar um som sequer. A aula terminou e, para minha surpresa, a professora me chamou para conversarmos a sós. Relatou, de maneira bem tranquila, que havia reparado como eu tinha me comportado de maneira diferente naquela aula, incomodado e constrangido com alguma coisa que deveria ter acontecido. Com alguma dificuldade, relatei o porquê de meu constrangimento. Com muita tranquilidade, ela me fez perceber o quão pequeno meus pensamentos de preocupação eram frente ao sentimento de gratidão pela família, e como meus pais ficariam felizes ao ver minha poesia ser cantada pela turma. A conversa se estendeu neste tom, e recordo-me muito bem de como me senti ao final, aqueles pensamentos todos que me causaram grande constrangimento haviam sido, com a ajuda docente da professora, colocados em seu devido lugar.

É interessante ver como estes mesmos pensamentos ainda insistem em aparecer no meu ambiente mental de tempos em tempos, mas mais interessante ainda é perceber que hoje tenho um domínio muito maior sobre eles. Sou grato ao Maestro González Pecotche por seus ensinamentos e grato também a todos os discípulos docentes que se esforçam em praticá-los e acabam, como consequência, ajudando também àqueles que estão à sua volta.

 

Pedro Marinho Sizenando Silva


 
 

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