Depoimento de ex-aluno – Marcella Gualberto Drumond
31 de janeiro de 2016 | Marcella Gualberto Drumond

Ter sido aluna do Colégio Logosófico foi uma das melhores e maiores oportunidades de minha vida. Sinto uma imensa gratidão pelo familiar que me fez esse bem, afinal escolas existem tantas… Poderia ter aprendido conhecimentos importantes em tantos outros lugares! Mas fui privilegiada com esta Escola: foi me dada a chance de me aproximar desta fonte, aos 10 anos de idade. Um presente que ficou pra vida!

Realmente são inúmeras as recordações felizes, importantes e lindas que vêm a minha mente, ao me recordar do muito que vivi em anos tão bons. Dentre elas, algo que destaco foi a experiência da escolha profissional. Bem cedo, já me via segura, feliz, vibrante e determinada em minha escolha. Hoje analiso: que influência exerceu o ambiente do Colégio, as ações docentes em minha escolha profissional? Eu seria educadora, se não tivesse passado por aqui?

Recordo da forma atenciosa, afetuosa e interessada como os docentes me tratavam, sentia-me cuidada. Uma professora, certa vez, escreveu um versinho que não esqueço: consigo transcrever sem cola:

                 Enigmática e serena

                 Às vezes bem sorridente

               Você, Marcella menina,

               mostra que é muito gente.

Não sabia o significado da palavra enigmática, não me considerava serena, não tinha observado que sorria “às vezes”… passei a querer observar-me mais! Com o passar dos anos, fui realizando descobertas maravilhosas sobre mim mesma …

Outra vez, também um docente disse algo sobre mim que não entendi… mas que também não esqueci: essa menina tem tutano. Procurei fazer com que sua observação tivesse fundamento… que estímulo poderoso!

No pátio da Escola, no momento do recreio, um senhor, filiado da Fundação Logosófica, vinha todas as manhãs e recolhia pequenas embalagens ou guardanapos que um ou outro aluno “deixava cair”. Eu observava e pensava: que estranho… ele vem só pra isso? Ele pega o lixo que outros deixaram e coloca nas lixeiras? Observava seu rosto: era alegre. Não me esqueço daquele rosto.

Uma outra docente, quando estávamos mais agitados dizia: eu vou contar até três: um, dois, três. Muito firme, dinâmica, estimulante, nos ensinava com um gosto enorme, que não me esqueci. Um pouco mais à frente, tive a oportunidade de ir à sua casa, ficar com seus filhos enquanto ela e o marido vinham à Fundação. Pelos corredores de sua casa, desenhos dos meninos, pinturas, colagens, bilhetes que trocavam…

As observações e vivências iam se somando a frequentes doses de esforço, estava aprendendo a ser melhor! O querer ensinar, ajudar, fazer o bem foi ficando forte fortinho…

Decidi que queria ser professora. Mas como característica peculiar daquela fase, não queria pro futuro, quando fosse adulta, queria ser professora logo!

Comecei então uma campanha: procurei a diretora da escola e pedi que me autorizasse a voltar a tarde para ficar com os pequenos, queria ser professora! Disse a ela que não era preciso me pagar, queria ser professora! Ela fez uma fisionomia ótima, muito alegre, disse que precisava estudar para ser professora. Eu disse que ia estudar, enquanto isso, ia aprendendo a ser professora. Ela então disse que ia pensar. Durante não sei quantos dias, corria atrás dela e perguntava se já havia pensado.   Ela me pedia que aguardasse. Eu esperava por ela na saída. Eu a via passar pelo pátio e perguntava… nada.

Um dia, fui chamada na sala da direção. Foi me entregue uma lista de documentos. Eu deveria providenciá-los para iniciar minhas atividades profissionais: monitora infantil. Do alto de meus 14 anos, foi uma incrível realização!

De lá pra cá, 30 anos se passaram e eu não saí de minha rota. Escrevi versinhos pra muitas crianças, procurei ver a realidade de cada um, estimular e valorizar seus esforços,   catei papel pelo chão do pátio, minha casa às vezes fica mais aconchegante com desenhos, bilhetes, cartas…   Especialmente, tenho aprendido, a exemplo de meus queridos professores, a levar o melhor de mim a cada criança/adolescente que acompanhar.

O quanto ficou em minha vida do Colégio Logosófico, de cada docente! Do muito, a marca indelével do bem – de uma bondade que faz diferença em minha vida.

 

Marcela Gualberto Drumond


 
 

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