Aplicando a Pedagogia Logosófica no estudo dos Direitos Humanos
30 de janeiro de 2016 | Emanoela Lima

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos: “toda pessoa tem direitos inerentes à sua natureza humana, sendo respeitada sua dignidade e garantida a oportunidade de desenvolver seu potencial de forma livre, autônoma e plena. Os princípios históricos dos Direitos Humanos são orientados pela afirmação do respeito ao outro e pela busca permanente da paz. Paz que, em qualquer contexto, sempre tem seus fundamentos na justiça, na igualdade e na liberdade”.[1]

A missão do Colégio Logosófico dialoga diretamente com os princípios dos direitos humanos, uma vez que seu objetivo primordial é oferecer, durante o processo de formação do seu aluno, valores que lhes serão permanentes ao longo de toda a sua vida, de modo a formar indivíduos livres e felizes, capazes de fazer o bem conscientemente. A aplicação social desses princípios colabora imensamente para a formação cidadã do aluno, já que visa a conscientização sobre a responsabilidade de cada indivíduo com sua própria vida e com a sociedade em que vive.

Os alunos, ao concluírem o ensino médio, passam, em sua maioria, pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), no qual, além da prova com questões objetivas, deverão fazer uma produção textual do tipo dissertativa-argumentativa. Nessa produção é solicitado ao candidato que elabore “uma proposta de intervenção social para o problema apresentado no desenvolvimento do texto que respeite os direitos humanos”[2]. O participante que desrespeitar os direitos humanos terá sua redação desconsiderada do processo de correção do ENEM, tirando nota zero na redação, sendo, portanto, eliminado do processo de seleção. Diante da imensa relevância dos direitos humanos no processo de seleção do ENEM e principalmente na formação cidadã dos discentes, faz-se imprescindível um trabalho com os alunos do ensino médio com o intuito de melhor conhecer os princípios dos direitos humanos.

Como afirmado anteriormente, é possível perceber grande afinidade entre os postulados presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos e os valores ensinados pela Pedagogia Logosófica. É realizado, portanto, um trabalho sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos com os alunos do 3º ano do ensino médio, em que as exposições dos princípios que regem os direitos humanos são relacionadas a alguns conceitos da Pedagogia Logosófica.

Antes de trabalhar diretamente com os princípios da DUDH, são abordados alguns conceitos importantes. Inicialmente são definidos os seguintes termos: “homem”, “justiça”, “igualdade” e “liberdade”. O trabalho com esses conceitos parte do documentário “Ilha das Flores”, um curta-metragem brasileiro, escrito e dirigido por Jorge Furtado, que possui duração de treze minutos. No documentário é colocada em destaque uma reflexão acerca dos problemas sociais como a pobreza, a fome e a exclusão social.

No curta-metragem “Ilha das Flores” são apresentadas duas definições distintas para “ser humano”. A primeira definição é: “telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor”. Já na segunda definição, os seres humanos da Ilha das Flores são definidos pela repetição da definição de ser humano anterior, juntamente com uma gradação, em que aparecem outras características: “telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor, sem dinheiro e nenhum dono”. Os seres humanos da Ilha das Flores vivem em meio à pobreza extrema, alimentam-se dos restos de alimentos que vão para o lixo, os quais não servem para alimentar nem mesmo os porcos. Ou seja, numa escala de relevância, esses humanos são colocados num grau de importância abaixo do que é conferido aos porcos. A Logosofia, por sua vez, aborda o ser humano em relação de superioridade quando comparado a outros seres do reino animal:

A Logosofia situou o homem numa posição hierárquica mais elevada ao proclamar o quarto reino, virtualmente diferente dos demais. Sua constituição psíquica, com seus ponderáveis sistemas mental, sensível e instintivo, e, como se isso não bastasse, as excelências de seu espírito, do qual carece qualquer outra criatura vivente de reinos inferiores, colocam o homem, com justiça indiscutível, num reino à parte e superior, que chamamos de “humano”.[3]

É solicitado aos alunos que façam uma contraposição entre o conceito apresentado no documentário e o conceito da Logosofia. Por fim é promovida uma discussão sobre o que é o “ser humano” na sociedade atual. Desse modo, busca-se uma reflexão, principalmente, sobre os direitos que devem ser garantidos aos homens, a fim de que vivam de forma plena e digna, como é postulado pela DUDH.

A título de exemplo, outro conceito trabalhado é o da palavra “liberdade”, a qual é destacada ao final do documentário “Ilha das Flores”: “uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. Já Pecotche defende que a liberdade é fruto de uma conquista. Assim, segundo o precursor da Logosofia, a liberdade “deve ser cercada de garantias e mútuo respeito entre os homens e os povos. A liberdade, que é o fruto de uma conquista que o homem fez ao cultivar sua inteligência, elevar sua moral e estender a cultura por todos os pontos da Terra, contribui para manter o equilíbrio entre seus deveres e seus direitos”.[4] Aos alunos, então, é solicitada a comparação entre os conceitos da Logosofia e do documentário. Por fim, é promovida uma discussão sobre a importância de o direito à liberdade ser defendido pelos direitos humanos.

Neste artigo foram apresentados o trabalho desenvolvido com os alunos do 3º ano do ensino médio acerca dos conceitos de “ser humano” e de “liberdade” abordados no documentário Ilha das Flores, de modo a analisar esses conceitos com base na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos ensinamentos Pedagogia Logosófica. Cabe destacar que essas definições não são meras acepções, mas princípios fundamentais para a formação humana dos alunos do ensino médio do Colégio Logosófico.

[1] Definição de Direitos Humanos. Disponível no site da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

[2] Guia do Participante ENEM 2013.

[3] PECOTCHE, 2008.

[4] PECOTCHE. Artigo: “Liberdade: fruto de uma conquista.


 
 

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