Uma história, um bolo laranja e um lindo capítulo de bem
31 de janeiro de 2016 | Lúcia Maria Soares de Andrade

A criança de 8 anos de idade havia pegado o lanche do colega. O encaminhamento docente dado ao fato foi pautado pela delicadeza, sem constrangimento ou ameaça. A professora resolveu aproveitar a vibração com que, nessa idade, as crianças ouvem as histórias e, então, criou uma com elementos parecidos aos identificados no episódio vivido. Deu ao enredo um toque sensível, que favoreceu a atenção geral e acentuou o vínculo afetivo dela com a turma.

Nos detalhes, foram enfocados o sentimento materno, a gratidão ao bem recebido, a amizade, o verdadeiro querer, a vontade, a confiança, a verdade, o cultivo do bem e a generosidade.

Aquele foi um momento especial para a turma, pois o ambiente mental que se formou favoreceu uma participação ativa de todos. As crianças estiveram atentas, interagindo com a professora e os pensamentos da história.

Ao final, a criança que havia pegado o lanche do colega o devolveu por iniciativa própria, sem ter sido incitada de forma direta a isso. Seu gesto espontâneo e sincero causou uma grande alegria em toda a turma, que o cumulou de muitos abraços e parabéns.

Para culminar essa experiência que já era feliz, no dia seguinte a professora levou para a sala de aula um delicioso bolo de laranja, que constituía precisamente um dos elementos da história narrada. Antes de servir aquela agradável surpresa, a professora procurou verificar em que medida as crianças haviam, de fato, participado conscientemente do conto. Fez perguntas objetivas e claras sobre a história, e os alunos puderam expressar, num clima muito propício, o que haviam concluído como um ensinamento a ser posto em prática.

Eis um breve exemplo de suas conclusões:

-Não é errado sentir vontade. Quando isso acontecer é só pedir.

-A verdade deve aparecer sempre, mesmo quando o medo fala para a gente mentir.

-Copiar o dever de casa do colega é uma forma de não ser verdadeiro.

 

Ao final da estimulante conversação, a turma saboreou em clima de muita alegria o apreciado bolo de laranja.

Para a professora, a vivência teve um significado que foi além do ensinar a um aluno querido o que é certo e o que é errado. Ela conseguira elaborar sem preparo uma história que se mostrou muito oportuna e instrutiva. Teve consciência de como a haviam auxiliado nisso os conceitos emanados da Pedagogia Logosófica e já assimilados por ela no estudo teórico e na prática. Eram conceitos que já faziam parte de uma outra história: a de sua própria vida como ser humano preocupado com o aperfeiçoamento e a evolução.

Entre esses conceitos, ela, o tempo todo, se vira inspirada no seguinte:

“O bem há de ser feito conscientemente, sabendo-se para que se faz; e que em todos os casos tenha um fim altruísta, verdadeiramente generoso.”

 

Lúcia Maria Soares de Andrade

Diretora-Geral do Colégio Logosófico – Unidade Brasília. Licenciada em História pela UPIS. Pós-graduada em Administração Escolar pela Universo.


 
 

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