Quem manda em sua casa mental?
13 de agosto de 2017 | Colégio Logosófico - Unidade Goiânia

Os estímulos por ensinar, realizar tudo com gosto e a alegria são fatores que favorecem o trabalho docente. O mesmo ocorre com uma turma de alunos, quando é um conjunto ativo, diligente e capaz.

Nesta experiência, observamos que fatores tão favoráveis ao ambiente de esforço e à valorização do estudo, pareciam contaminados por uma característica psicológica negativa da turma. Tal observação exigiu de nós uma postura atenta e um plano capaz de auxiliar os alunos a identificar essa característica, por meio da observação de como e com que frequência ela atuava.

Esta característica apresentava-se por meio da rebeldia aliada à desobediência e irritabilidade. E ocorria principalmente na resistência ao cumprimento de regras. Fomos percebendo que o comportamento, guiado por esses pensamentos, não ocorria apenas na escola, mas em diferentes situações tais como: junto aos irmãos, aos amigos e aos pais.

González Pecotche ensina que “…tal como o dia avança sobre a noite como se quisesse iluminá-la, a razão da criança, que aumenta dia a dia com o passar dos anos, trata de iluminar sua inteligência a fim de que não sucumba nos domínios da insensatez.”

Diante dessa observação, delineava-se assim, um importante e desafiador trabalho a ser realizado. Um dos recursos que utilizamos é a imagem da casa mental.

Diante do observado, foi possível pensar em muitas ações, tais como:

  • Oferecer elementos de razão a fim de persuadir e depois convencer sobre os benefícios à vida, quando a obediência cumpre com princípios de bem e de disciplina – contrariamente ao acatamento cego;
  • Orientar sobre o valor das experiências alheias para se extrair elementos úteis ao próprio aperfeiçoamento. Quando boas, devem estimular o seu aproveitamento de acordo com a realidade de cada um; já quando negativas, devem estimular a reflexão sobre as consequências desfavoráveis que geram e também alertar sobre a necessidade de evitá-las;
  • Fazer uso do recurso da história contada por meio de um livro literário, em que o protagonista experimentasse situações similares às detectadas nas crianças, sem que elas se sentissem apontadas;
  • Favorecer a observação das condutas inadequadas e a proposição dos acertos. Nesse caso estariam propondo a si mesmas;
  • Observar, com atenção, os habitantes da “casa mental” como responsáveis diretos pelas atitudes positivas ou negativas que cada um experimenta;
  • Sentir a necessidade de cuidar de sua casa mental para acolher pensamentos capazes de levar ao acerto e ao bem;
  • Ouvir os conselhos dos que nos querem bem, via acatamento inteligente.
  • Favorecer o cultivo do sentimento de gratidão, criando o pensamento de corresponder ao bem recebido. “Guarde perenemente um pensamento de correspondência ao bem que recebe” . G.Pecotche.

No colégio, tanto os professores quanto os alunos são levados a realizar todo um preparo que visa a culminar com a assimilação e prática dos elementos logosóficos associados aos colhidos nos livros literários.

O clima vivido no colégio, tanto em sala de aula como nos demais ambientes, muito contribui nesse processo, pois nele predomina o cultivo de pensamentos que hierarquizam o ser humano na convivência consigo mesmo e com a sociedade.

Esse preparo está alicerçado nos ensinamentos da Ciência Logosófica para a qual “toda deficiência é produto de desvio experimentado pelo homem na integração de suas qualidades e do mau uso das suas condições intelectivas, psíquicas e morais. O desconhecimento de seu próprio existir como entidade consciente e capaz leva-o a cometer inúmeros erros que afloram, depois, como deficiências impressas em sua psicologia”.

A debilitação e eliminação de características negativas requer o cultivo e o fortalecimento das virtudes psicológicas que as contrapõem. É a lei da lógica. Por isso o educador e humanista González Pecotche, autor da Logosofia, ensina que a irritabilidade deve ser vencida com a temperança, “sedativo psicológico que modela as asperezas do temperamento até sua total extinção”.

 

Registrado no Caderno da Vida

Para registro e fixação dos elementos de vida colhidos com a leitura do livro, foi utilizado o Caderno da Vida, que é o caderno em que as crianças anotam suas observações e vivências.

Na Pedagogia Logosófica, os alunos são estimulados a pensar e a encontrar, por si mesmos, as compreensões e respostas certas. As perguntas e reperguntas feitas pelos docentes a eles são importantes nesse processo de aprendizado.

No caso dessa experiência, as crianças compreenderam que a irritabilidade é um pensamento negativo que as impede de experimentar o sentimento de alegria gerando, assim, muitas dificuldades na convivência.

Após várias conversas e muitas atividades, as crianças detectaram, em si mesmas, a presença desse pensamento e manifestaram:

Quando somos contrariados os pensamentos soltam poeira por todos os lados”.

“Cuidar da casa mental é varrer os pensamentos negativos”.

“Tales foi aprendendo a conter a raiva dentro de si. Aprendeu a não deixar o pensamento de irritabilidade soltar faíscas”.

“Com esta história eu aprendi a não ficar irritado com coisas sem importância”.

 

Puderam, então, observar que recordar o bem recebido é um exercício de gratidão que favorece o acatamento das orientações:

“Com essa história, eu aprendi que Tales descobriu que seus pais faziam muitas coisas boas para ele. E meus pais não fazem nada para o meu mal”.

Até o “não” vindo dos pais passou a ser valorizado: “Aprendi que, às vezes, os pais não deixam fazer o que queremos, mas é para nosso bem”.

 

Os professores buscaram aproveitar todos os episódios e situações da história que oportunizavam a identificação de virtudes e valores. No caso, o sentimento de gratidão aos pais, o acatamento de seus conselhos e a recordação das coisas e bens por eles oferecidos foram muito levados em conta.

As orientações que os pais passam aos filhos foram hierarquizadas: “O amor mais próximo do grande amor de Deus é o de nossos pais”, ressaltaram os docentes quando a classe intercambiava o momento em que Tales “recordou-se de que seus pais sempre lhe davam muitas coisas e sentiu gratidão”.

Observamos, que os alunos passaram a compreender a importância de ouvir sempre os conselhos de seus pais, inclusive o “não”. Assim registraram: “O conselho dos pais é uma ajuda de Deus”.

Com a leitura e compreensões surgidas da leitura do livro Tales e o segredo das férias animadas, os alunos foram orientados a aprender com as experiências dos semelhantes, pois delas podem-se extrair elementos de valor para a vida de cada um.

As crianças também tiveram a oportunidade de vincular a história ao trabalho feito no colégio sobre a transcendência da instituição família como formadora das bases da unidade humana, oferecendo seres melhores para a criação de um mundo igualmente melhor. Suas manifestações foram:

“Eu acho que tenho dado muito valor à minha famíla”.

“Eu tento fazer coisas que não os deixam zangados, tento não desobedecer, dar carinho e ajudá-los”.

“Um filho colaborador é um filho que obedece, que ajuda quando é necessário e que entende os conselhos dos seus pais”.

“Quando um pai e uma mãe dizem não como resposta, tenho que compreender, enxergando o bem que ali está.”

“Eu não preciso ficar brava, porque estão fazendo isso para meu be”.

“Um filho que se irrita quando as coisas não saem como quer não contribui para a harmonia familiar”.

 

No decorrer da experiência vivida por todo um semestre, observamos transformações na conduta de nossas crianças. Ficaram mais atentas aos pensamentos da casa mental e viram o poder que todos têm de acolher os bons e expulsar os negativos, como aqueles que o personagem e eles próprios percebiam nas mentes.

Ao compreenderem o valor da obediência como um bem, tornaram-se mais dóceis às orientações, inclusive no ambiente familiar.

Predispuseram-se a realizar o saudável exercício da recordação das “coisas boas recebidas”, tal qual o açúcar da história “capaz de tornar doce a vida” pela presença da gratidão.


 
 

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