O cultivo dos sentimentos
31 de janeiro de 2016 | Sueli Moraes Martins

A Pedagogia Logosófica foi criada com o objetivo de educar para a vida. Integra o seu extraordinário plano de educação o cultivo dos sentimentos em todas as etapas da formação humana.

O sistema sensível ou sentimental. A Pedagogia Logosófica estabelece que o cultivo dos sentimentos na infância e na adolescência é um investimento na felicidade, na paz, em vidas equilibradas.

E por que essa afirmação?

Porque os sentimentos equilibram a vida psíquica; infundem traços de humanidade às atitudes dos homens; sustentam os propósitos e as palavras de honra que muitas vezes a mente esquece; criam laços existenciais propícios à convivência entre seres com diferentes modalidades psicológicas.

Quantas sociedades foram constituídas com esforços, abnegações, lutas e sacrifícios, e mais tarde desfeitas pela ausência de sentimentos… Quantos seres humanos conquistaram troféus nas áreas econômica, tecnológica e científica, mas se tornaram prisioneiros da falta de afeto e, por isso, isolados de seus semelhantes?

Como seria a vida humana se, desde criança, cada um compreendesse que tudo na vida deve ser feito com gosto, com o mesmo gosto e amor que vêem estampados em todas as coisas criadas por Deus?

Sendo a mente da criança “terra virgem e fértil”, como ressalta a Logosofia, terra onde tudo que é plantado tem amplas possibilidades de florescer e dar bons frutos, que valor pedagógico assume a semeadura dos grandes sentimentos edificadores da paz e da felicidade no mundo?

Muito se tem escrito sobre a superficialidade das relações entre os homens na vida social. É visível que a sociedade atual se encontra, geralmente, dominada pelo jogo de interesses, pelo consumismo, pelas árduas lutas em busca da sobrevivência e, em conseqüência, por variadas estratégias direcionadas à conquista do poder, da riqueza, do prazer e da fama. A evidência dessa realidade no mundo de hoje desafia os recursos pedagógicos de quem tem, em suas mãos, a tarefa de educar.

Vínculo sensível entre docente e discente. A imagem que evidencia o desamparo sensível de alguns seres humanos é a de um recipiente sem fundo. Tudo que é depositado nele se esvai, não permanece.

Nas relações humanas edificantes, construtivas, duradouras, é o afeto que alicerça, conserva tudo, inclusive o conteúdo dos bons momentos e dos fatos vividos.

A Pedagogia Logosófica foi criada com o objetivo de educar para a vida. Integra o seu extraordinário plano de educação o cultivo dos sentimentos em todas as etapas da formação humana: infância, adolescência, juventude e idade adulta. Para isso, ensina que, na configuração do ser humano, encontra-se o sistema sensível ou sentimental, formado pela sensibilidade e pelos sentimentos. No âmbito da sensibilidade, vamos encontrar as faculdades de sentir, amar, querer, agradecer, perdoar, consentir, compadecer e sofrer. Essas faculdades criam e sustentam os sentimentos, intervêm em sua formação, dão-lhes vigor, ampliando-os e conservando-os no curso da vida. Conhecer cada uma delas – como são e como funcionam – confere ao docente a posse de inestimáveis recursos pedagógicos.

As ações docentes acompanhadas dos sentimentos propiciam o vínculo sensível entre docente e discente, e também são poderosos estímulos que podem mover o educando a se empenhar no cultivo dos grandes sentimentos.

Multiplicando os afetos. É importante destacar que a conservação dos sentimentos na vida é uma arte, contém segredos, é um dos tantos conhecimentos em que a Pedagogia Logosófica se baseia para ativar, no homem, as faculdades sensíveis.

A Logosofia afirma que “tal como acontece com os pensamentos, os sentimentos requerem uma consagração íntima por parte daquele que se dedique a seu cultivo, devendo esforçar-se por conservá-los e incrementá-los, enobrecendo-os gradualmente. Os sentimentos se perpetuam pelo estímulo incessante da causa que lhes deu origem.” Semelhantes a uma planta, os sentimentos necessitam ser, diariamente, alimentados com atitudes, gestos e palavras para serem conservados e terem vida no interno do ser humano.

Nos braços que acalentam os bebês, encontram-se os mais belos e nobres senti- mentos: o divino amor materno; a gratidão a Deus pela graça de gerar um filho; o respeito à vida que lhe foi entregue em confiança, para ser cuidada, para ser amparada…

Entretanto, com o correr da idade do bebê, os braços têm que se fazer gigantes, porque os sentimentos precisam desdobrar-se em novas e variadas formas de manifestação, crescer com a criança, com o adolescente que já se encaminha para a etapa adulta. Criados laços sensíveis entre pais e filhos, entre alunos e professores, e também entre os colegas, passam estes a ocupar um lugar especial no coração, na consciência e na vida de cada um, multiplicando os afetos, atraindo mais e mais amigos.

Dessa forma, a convivência humana ganha matizes delicados, representados nos gestos mais nobres, belos, justos e puros.

 

Sueli Moraes Martins

Pedagoga pela PUC-MG / Pós-graduada em Docência do Ensino Superior / Diretora Geral do Colégio Logosófico – Unidade Cidade Nova – BH


 
 

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