Nossos alunos ao vento do mundo virtual
22 de abril de 2017 | Maria Beatriz Bueno Sauerbronn

Desde muito cedo ser humano ouve, que deve ser bom, que deve ser melhor e fazer o bem. Mas… “De boas intenções o inferno cheio”, diz o ditado. É só olhar para o mundo de hoje para ver que não é suficiente ter ou pregar bons propósitos.

“A vida é pensamento e ação”, preceitua a Pedagogia Logosófica. Então, tudo quanto o homem venha a criar, produzir ou realizar, antes de se manifestar no externo existe em qualidade de pensamento dentro de sua mente.

De onde provêm as palavras que ele pronuncia, as expressões que transmite em sua fisionomia, as atitudes que toma ou as ações que pratica? Para existirem, todas as coisas têm de nascer duas vezes, primeiro na mente. As ações de amor e filantrópicas, tanto quanto as de ódio e lesa-humanidade, antes de estarem nos jornais estiveram na mente de seus realizadores, onde haviam nascido sob a forma de pensamentos.

Dominar esse conhecimento significa chegar às causas de tudo, significa alcançar um estado consciente que permite a opção entre a conduta certa e a errada, entre o bem e o mal, entre o verdadeiro e o falso. O desafio dessa realização existe de forma permanente para o professor.

De acordo com os pensamentos que a pessoa tenha na mente, assim serão suas palavras e ações. Se há pensamentos construtivos e elevados, sua vida terá caráter benigno e igualmente elevado; ao contrário, se acolhe pensamentos negativos, de destruição e desamor, o resultado é outro. Nesse caso, como encaminhar seus passos em direção ao bem? Não estão claríssimas aqui as relações de causa e efeito? Ou seguiremos inconscientes na trilha dos ingênuos, crendo que plantando o joio colheremos trigo?

Hoje, crianças e adolescentes passam uma grande parte do seu tempo envolvidos no chamado “mundo virtual” da eletrônica. Sob a influência de textos, fotos, filmes, jogos, etc., eles absorvem pensamentos frequentemente cruéis, numa dosagem repetidíssima e sem medida. Carentes das defesas mentais que a formação consciente de conceitos verdadeiros lhes facultaria, acaso podem eles estabelecer distinção entre o bem e o mal? Ora, nesse universo simulado de monstros e exterminadores, as imagens são virtuais, mas os pensamentos são absolutamente reais.

 

Diferente: adolescentes aprendem, desde cedo, que cada um de nós foi dotado por Deus de todos os recursos para lutar e vencer o mal, a começar dentro de si mesmo.

 

Quanto aos pensamentos de crime, por exemplo, a Pedagogia Logosófica adverte que quem os acalente já convive com suas incitações, bastando tão-somente o surgimento de um momento propício para cometer a violência.

Crianças e adolescentes, órfãos de uma educação segura, se veem abandonados dentro dos próprios lares, entregues por indiferença ou ignorância dos pais aos fabricantes de monstros. E, entre esses pais, muitos são professores, que receitam a contaminação na crença de que estão receitando vacinas. Depois, são os primeiros a mostrar surpresa com as notícias de crime e desamor protagonizadas por seus pupilos e pela juventude de todos os povos.

Diferente é quando criança e adolescente aprendem, desde cedo, que cada um de nós foi dotado por Deus de todos os recursos para lutar e vencer o mal, a começar dentro de si mesmo! E também aprendem que o afeto entre homens e povos é possível, que a fraternidade é possível, que existe como se encantar com o bem e com os sentimentos de amizade, de compaixão, de solidariedade entre todos os homens e mulheres da Terra.

Mas, não sejamos ingênuos, contando com facilidades que não existem. A Pedagogia Logosófica é esclarecedora nesse sentido, ao preconizar que:

“Depois de se ter deixado o mal avançar tanto, não basta apontar uma ou outra vez o desvio, com posturas sentenciosas desta ou daquela cátedra; o que a humanidade necessita é que se lhe ensine e transmita o verdadeiro conhecimento de sua evolução. É necessário dar ao homem os elementos que lhe faltam para orientar sua vida com segurança pelos caminhos do mundo. É precisamente isso o que a Logosofia oferece a favor do grande problema pedagógico-moral cuja solução a consciência humana reclama.”

 


 
 

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