Na criação de oportunidades de aprendizado não formais, levando elementos e imagens para toda a vida
31 de janeiro de 2016 | Ana Flávia Duarte

Durante as aulas, é muito comum ouvir e poder relatar inúmeras experiências de vida, ao longo do ano. Através de tais situações, cabe a mim como professora do Colégio Logosófico fazer nascer oportunidades de transmitir aos alunos um pouco do que já experimento da Pedagogia Logosófica aplicada à minha vida.

No final do mês de setembro, numa das aulas de Matemática, conversávamos sobre a nota conceito fornecida a cada aluno ao final da etapa letiva. Tratávamos dos critérios para a obtenção de uma boa nota, quando um aluno manifestou que, quando eu era aluna, eu devia ganhar só total, pois eu era “santinha”. Naquele momento, pensei que poderia dar continuidade à aula, corrigindo o dever de casa, mas que perderia uma grande oportunidade de trabalhar um conceito que, em minha adolescência, como aluna do Colégio, algumas experiências favoreceram que eu trabalhasse. Neste momento, decidi alterar o rumo da aula do dia.

Relatei à turma que eu era esse tipo de aluna “santinha” mesmo, até que algumas experiências me fizeram compreender que eu não deveria ficar calada, nem me comportar bem pelo medo que sentia de me expor nas situações ou por outras razões que não fossem justificadas e aceitas em meu interno. Deveria sim ficar quieta e em silêncio pela convicção de que ficar daquela forma seria melhor naquele momento para mim. Levei-lhes o elemento que a diferença é tênue, mas que existe entre fazer o bem pelo medo ou pela certeza de trilhar o melhor caminho.

Com a discrição que o relato merece, disse-lhes sobre uma vivência com uma professora que certa vez me expos frente aos colegas e nossos familiares, numa comemoração escolar. Naquela atividade, meus colegas me perguntaram o porquê de eu não ter reagido e quiseram responder por mim. Mantive-me serena durante aquele dia e, depois de haver pensado muito sobre o assunto, resolvi enviar à professora uma carta, com algumas coisas que estava aprendendo com González Pecotche, sobre as brincadeiras. “Sabem o quê escrevi?”, perguntei à turma.

Neste momento, uma adolescente manifestou: “É que devemos fazer com os outros só as brincadeiras que gostaríamos que fizessem com a gente?” Disse-lhes que sim, que este foi um elemento que recordei naquela época. Levei aos alunos os ensinamentos que me orientaram ao viver a experiência:

“As observações que fizer sobre seus semelhantes e sobre as coisas a seu alcance, lhe permitirão aperfeiçoar-se a si mesmo em alto grau, corrigindo suas deficiências e exaltando suas qualidades. Assim, por exemplo, tudo de belo e de bom que você veja nos demais lhe servirá para reproduzi-lo em si; e se o que observa neles lhe for, pelo contrário, desagradável: seus procederes, sua conduta, etc., aproveite isso para julgar as impressões que seus semelhantes receberiam de você, se tivesse os mesmos procederes, a mesma conduta. Trate, pois, por todos os meios e com grande vontade, de não reproduzir aquilo que a você mesmo tiver causado má impressão.” BSC, 14

“Se você gosta de brincadeiras, trate de que as suas sejam sempre simpáticas e produzam bom efeito. Que elas nunca afetem os sentimentos daqueles que o escutam.” BSC, 29

Relatei-lhes a conversa que tive com minha professora e a necessidade de me manter firme para fazer este bem, sem corromper-me com algum pensamento vingativo. Manifestei à turma que, com o tempo, observava que fazer o bem, a cada dia, tem se tornado mais puro, fruto do amadurecimento e do estudo de ensinamentos como os que acabara de dizer.

Alguns alunos também manifestaram experiências vividas, onde puderam cultivar a valentia e fazer o bem com consciência. Perguntei-lhes como foi a repercussão interna desses atos e cada um contou aos demais como ser valente e fazer o bem foram estimulantes. O ambiente da sala foi invadido por uma serenidade indescritível.

Sinto que o domínio do tempo, o conhecimento extraído e praticado do ensinamento e a aproximação sensível com a turma favoreceram para vivermos um momento único, onde foi possível que os alunos experimentassem a verdade contida nos ensinamentos logosóficos.

 

Ana Flávia Duarte


 
 

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