Incentivo moral na infância e na adolescência
30 de janeiro de 2016 | Carlos Bernardo González Pecotche

No aspecto moral, com justa razão, é de deprimir a linha descendente que se observa no seio das grandes comunidades humanas, especialmente entre os jovens, sobre os quais mais repercute a falta de atenção por parte dos adultos. Pais e professores mal podem orientar a juventude, quando neles mesmos estão radicadas essas causas que vêm de longe e que tantos prejuízos sempre ocasionaram à moral do homem. É um fato inegável que a orientação dada à infância e à juventude carece de verdadeiro incentivo moral. Nem a criança nem o jovem são levados a formar um conceito claro de sua responsabilidade como seres inteligentes e donos de uma vida que devem dignificar com o exemplo de sua vontade, posta a serviço de suas aptidões. Em outros termos, não lhes é ensinado a ser conscientes do que pensam, fazem e sentem. O frio método pedagógico dos estabelecimentos educativos – oficiais e particulares – carece de eficácia no fundo da psicologia de cada educando; ao contrário, mantém-se na superfície dela, dando lugar a uma defeituosa formação da personalidade. Todo ensinamento moral não avalizado pelo exemplo de quem o dita, atua em sentido contrário na alma de quem o recebe. É esse um fato tão evidente que ninguém ousará pô-lo em dúvida. A Logosofia declara que a moral surge, no indivíduo, das excelências de seu sentir interno. É preciso cultivar essas excelências e ser consciente de que elas constituem uma força imponderável, quando postas a serviço dos desígnios superiores do espírito.

Depois de se ter deixado o mal avançar tanto, não basta apontar uma ou outra vez o desvio, com posturas sentenciosas desta ou daquela cátedra; o que a humanidade necessita é que se lhe ensine e transmita o verdadeiro conhecimento de sua evolução. É necessário dar ao homem os elementos que lhe faltam para orientar sua vida com segurança pelos caminhos do mundo. É precisamente isso o que a Logosofia oferece a favor do grande problema pedagógico-moral, cuja solução a consciência humana reclama.

A juventude, por exemplo, sofre a falta de uma preparação básica para a vida. Não recebe diretrizes precisas que lhe determinem a conveniência de seguir uma conduta reta, conduta que deve ser ilustrada com imagens claras a respeito das responsabilidades que cada indivíduo assume, tanto na família como na sociedade. É necessário que o jovem chegue a compreender a fundo que toda infração aos princípios morais e sociais de convivência humana introduz uma perturbação em sua vida, em prejuízo do conceito que merece. Além de atender a todos esses aspectos, o ensinamento logosófico vai mais além: ensina o jovem a ser consciente de seus pensamentos e atos. Desse modo, adverte- lhe que suas aspirações de êxito na vida deverão condicionar-se a um comportamento que não desvirtue sua legitimidade.

A moral – insistimos – se edifica com o bom exemplo, não com palavras. Nutre-se e afirma-se numa atitude que surge do ser interno como imperativo da consciência. Essa atitude é o respeito; o respeito que cada qual deve ter para consigo mesmo, a fim de não prejudicar seu conceito com pensamentos, palavras ou atos que o denigrem; o respeito ao semelhante, que outorga a mesma consideração por parte dos demais; o respeito a Deus, afastando da mente todo pensamento ou idéia que não favoreça a aproximação a Ele pelo caminho do saber e da perfeição; finalmente, o respeito que se deve a tudo o que, por sentimento natural, inspira respeito.

Ao proteger a infância e a juventude contra qualquer tipo de intenções que pretenda desviá-las do bom caminho, a Logosofia oferece a todos a possibilidade de conservar sua liberdade. E a conservam não se entregando ao domínio de ninguém, senão ao de si mesmos, para serem donos absolutos de sua pessoa e responsáveis diretos pela condução de sua vida.

Quem experimentou a tortura do desconceito, por ter em menos sua pessoa, verifica, mediante o saber logosófico, que seu pensar e sua conduta lhe vão granjeando simpatia e respeito, o que lhe permite sentir-se confortável e a gosto onde quer que se encontre, seja entre amigos, seja entre simples conhecidos. Em outros termos, aprende a ser grato e a inspirar uma boa recordação em todas as partes. É um crédito moral nada desprezível.

 

Carlos Bernardo González Pecotche


 
 

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