Fatores que concorrem para a criação de um bem-estar
30 de janeiro de 2016 | Carlos Bernardo González Pecotche

Por ser um problema que diz respeito à imensa maioria dos seres humanos, pensamos ser muito oportuno tratar deste assunto, cujo estudo realizaremos com o mesmo e único propósito que sempre anima nosso pensamento: fazer chegar, aos que necessitem de ilustração e guia, os elementos que entendemos indispensáveis para poder adotar a melhor conduta nas situações que diariamente se apresentam na vida do homem, o qual, por não estar preparado para enfrentá-las, sofre tantos infortúnios e, por conseguinte, tantas amarguras.

A ausência de uma preparação básica, prática e superior, que ensine ao ser humano como encarar os problemas da vida, impele-o a cometer uma quantida de de erros que, depois, por via da experiência, ele se vê obrigado a corrigir, mas após haver sofrido os efeitos, às vezes duros, que a incapacidade impõe. Isso nada representaria, se os frutos colhidos em sua aprendizagem nessa escola servissem para beneficiar e melhorar as condições humanas, na luta contínua contra a adversidade.

O certo, porém, é que os que conseguem ir levando com resignação a vida, conservando-a mais do que superando, nada tiram como conclusão, porque atribuem tudo o que lhes ocorre a fatos circunstanciais, quando não fatais ou providenciais, segundo seja o caso; portanto, não têm em conta os acontecimentos nem sentem, em momento algum, a necessidade de se informarem da razão por que lhes aconteceu tal ou qual coisa, enquanto se empenhavam em realizar quaisquer dos propósitos perseguidos. E mesmo os que extraem resultados úteis e valiosos, conquistando posições cada vez mais elevadas, de pouco servem, pois que nada dizem a seus semelhantes acerca dos meios ou conhecimentos de que se valeram para consegui-lo; em primeiro lugar, porque não lhes interessa fazê-lo nem se preocupam com isso e, em segundo, porque lhes falta tempo para se ocuparem até de si mesmos.

Como e de que maneira é possível, então, fazer chegar o valioso auxílio do conhecimento prático aos menos aptos de inteligência ou, noutras palavras, aos incontáveis milhões de seres que penetram na vida desprovidos de toda defesa e iniciativa para empreender, através do longo e tortuoso caminho a percorrer, a busca de um futuro seguro?

Entendemos, e a isso tendem nossos esforços, que, se bem devam todos ser auxiliados em geral, é preciso colocar a juventude em primeiro lugar, fazendo-o mediante exposições claras, simples e fáceis de entender, com as quais ela seja ilustrada e instruída sobre a quantidade de obstáculos e dificuldades que haverá de encontrar na vida, a fim de que saiba como ultrapassá-los, evitando, deste modo, ter de correr riscos inúteis, que tanto desanimam e acovardam o homem em formação.

Mais vale prevenir do que remediar, diz o aforismo. Pois bem; é preciso preservar o espírito, tal como se faz com o corpo, de toda contaminação perniciosa. A esse respeito, achamo-nos dedicados a um amplo e profundo estudo das diferentes situações e experiências pelas quais o homem deve passar, para oferecê-lo sob a forma de método e, assim, satisfazer uma necessidade que até o momento, pelo que sabemos, não foi satisfeita em nenhuma parte.

Uma das tendências mais marcantes no temperamento juvenil é a intolerância com o critério alheio. O jovem se aferra tenazmente a seu juízo, chegando até à obstinação, sem levar em conta, precisamente pela falta de experiência, que as razões dos demais podem ser igualmente respeitáveis.

Essa intemperança, como é natural, traz ao homem em formação muitas contrariedades, perdas de amigos, etc., ao mesmo tempo que ele se desconceitua ante os que o estimam. Corrigir a tempo esta anomalia do caráter é obter um triunfo valioso sobre si mesmo, o que permitirá que ele não se feche dentro da estimação própria, mas que, pelo contrário, se abra generosamente ao pensamento dos semelhantes.

Outra causa pela qual a adversidade se mostra severa e implacável com o incipiente andarilho deste mundo é a falta de controle sobre suas reações, as quais lhe tiram toda a serenidade e o privam de conselhos. Geralmente, todas essas pequenas violências diárias que seu espírito sofre, acumulam fermentos de intolerância que acabam por lhe azedar o caráter, a ponto de fazê-lo quase intratável.

O caráter requer formar-se no rigor das experiências e das ideias; que estas se enraízem e alicercem, no ser que se está formando na vida, convicções profundas sobre a necessidade de uma vontade firme, que lhe permita conseguir a confiança de seus semelhantes em sua palavra, em sua amizade, e, assim, conquistar a simpatia e o conceito favorável deles.

A pressa é também outra característica negativa do caráter em formação. Tudo se quer fazer quando ainda mal se pensou, sem preocupar com as consequências; o resultado é, quase sempre, um fato adverso que produz no ser amargos momentos, pois não se deve apressar uma decisão antes que ela esteja respaldada pelo concurso da análise de cada uma das circunstâncias que concorrem para determiná-la.

A superestimação de si mesmo é outra das causas que convertem o jovem num ser pouco atraente. Se desde tenra idade aprendesse a não tributar a si um culto maior do que o adequado a toda pessoa digna, veria que mesmo este é desnecessário, já que chegaria a preocupar-lhe muito mais o conceito que os outros tivessem dele.

As atuações devem tender sem interrupção a formar o conceito e estima dos valores próprios nos demais, para o que é preciso combater a vaidade e o afã ridículo de mostrar um tamanho espiritual, moral ou social que não se tem.

Quando o sentimento de camaradagem está ausente do ser, este é levado à brusquidão e ao isolamento. É, por isso, muito importante que o espírito de colaboração presida constantemente o ânimo do ser na juventude. Dulcificará, assim, a existência dos que o rodeiam e desfrutará, por sua vez, o bem que outros possam oferecer-lhe; para tudo isso, bastará tão-só usar do sentimento de fraternidade humana. Todo gesto generoso, todo oferecimento de ajuda, ainda nas coisas mais simples, cultiva a simpatia e desperta sadias reações de amizade e sinceridade.

É indubitável, então, que uma ilustração metódica sobre cada uma dessas circunstâncias que rodeiam o jovem que penetra de cheio na vida, abonada pelas recomendações pertinentes, contribuirá em muito para que se forme nele uma consciência cabal de sua verdadeira situação, ao mesmo tempo que corrigirá suas imperfeições, já que todos esses são fatores que concorrem para criar o bem-estar próprio e, por extensão, o da família e o da sociedade.

 

Carlos Bernardo González Pecotche


 
 

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