Entram em cena Chiquinho e Maricotinha
20 de março de 2016 | Mayara, Eliana, Luciene, Maria Lúcia e Renata

Infância! Que segredos essa fase tão especial da vida do ser humano oculta? O que ocorre, envolto na delicadeza dos primeiros anos, que torna a vida de quem dá seus primeiros passos neste mundo tão pura, tão leve, tão atraente, tão linda? Sem dúvida, nesse período da vida tudo se registra de modo muito diferente ao dos demais. Por que?

O mecanismo mental da criança permanece pouco menos que estático, com exceção da imaginação, que desempenha nele um papel principalíssimo. Sua razão e seu pensar são incipientes, por ausência de conhecimentos. Os pensamentos com os quais convive são atraídos para ele por suas próprias tendências naturais.

Nessa fase, a imaginação constitui para a criança o cenário real da vida: desenha com caracteres muito vivos, em sua tela mental, cenas, episódios, passagens, contos, etc., que a criança toma como verdades. Sua mente é virgem e fértil. E seu espírito está presente, participando intensamente de sua vida.

“Constitui, pois, não só uma necessidade, mas também uma obrigação moral e racional indeclinável, contribuir para que germinem, nos pequenos mas fecundos campos mentais da criança, sementes ótimas…” (Da Pedagogia Logosófica.)

Um dos principais objetivos da criação das escolas logosóficas é proteger a mente infantil do engano, ensinando a criança a pensar. Pensar sobre as perguntas que faz e as respostas que recebe, sobre as coisas que observa, sobre tudo o que ouve e vê, sobre o que vive… E isso, sempre de forma alegre, vibrante. Tudo deve constituir um estímulo para a criança. Seu coração e seus olhos inocentes devem sempre perceber o amor que a rodeia e o bem que se quer para ela. Seus voos imaginários devem merecer, por parte do adulto, o maior respeito, cuidando de que tenham seu apoio na realidade e se constituam em terno refúgio para ela, que está começando a conhecer o mundo que a cerca.

A criança deve receber imagens coerentes com sua natureza, que é pura, singela, doce, alegre, sendo preservada de tudo que a agrida. A Pedagogia Logosófica, ao ao orientar o educador nesse sentido, permite que este compartilhe momentos inefáveis, próprios do mundo infantil, enquanto orienta a criança no cultivo de valores fundamentais para a vida.

Para atender às características tão ternas da infância, surgiram, no cenário do Curso Infantil do Colégio Logosófico, Chiquinho e Maricotinha: dois bonecos que simbolizam o Bem dentro de um ideal alcançável. Nos momentos das rodas de conversa, esses personagens oferecem exemplos de brincadeiras, alegrias, esforços, fracassos, conquistas e superação, através de histórias que são narradas, despertando um vivo interesse e uma grande participação das crianças. Em meio a um ambiente muito feliz, as crianças passam a ter os bonequinhos como grandes amigos, e seus exemplos vão se constituindo em estímulos importantes para a formação de seu caráter.

Nesse delicado mundo imaginário, as crianças absorvem os valores que os bonequinhos lhes transmitem, sempre de forma suave, alegre e agradável. O amor que nutrem por eles lhes permite receber todo o bem que comunicam, assim como sua força e seu bom exemplo.

Com um alto grau de respeito à realidade da criança, muitos conceitos são acercados às mentes infantis, como os de amizade, liberdade, tolerância, paciência, obediência e muitos outros. Até mesmo o conceito de Deus, isento de qualquer imagem ameaçadora ou autoritária, faz parte das rodas de conversas e das histórias, um conceito sempre repleto de amor, bondade e sabedoria.

Esses conceitos, em verdade, constituem-se na matéria-prima de que sua mente necessita para pôr em funcionamento a nobre função de pensar. Pensar com liberdade. Pensar, que é o maior dos direitos humanos e que, tantas vezes, é travado pelo temor e pelas ameaças.

Através de histórias repletas de graça, de expectativas, e muito relacionadas à vida infantil, muitos conceitos construtivos vão sendo assimilados pelas crianças. Alguns deles ficam gravados de forma indelével em sua mente:

– Cultivar a paciência inteligente é fazer muitas coisas enquanto temos de esperar por algo.

– Não imite os que fazem coisas más

– No coração cabem muitos amores

– Ser perseverante é tentar, tentar, tentar até conseguir

– Busque a companhia daqueles meninos que se comportam sempre bem

– O temor aprisiona, a valentia liberta

– Ser herói de si mesmo é conseguir vencer os próprios pensamentos negativos

– É importante ser generoso com os demais; etc, etc.

São grandes conceitos, sempre transmitidos com afeto, naturalidade, alegria e respeito à faixa etária.

As crianças aguardam com grande expectativa o horário do sorteio, para saber quem levará os bonequinhos amigos para casa. Ali eles passam o fim de semana: dormem, passeiam, brincam, vivem com a criança os carinhos e os cuidados da família e do ambiente do lar.

Em muitas situações de dificuldade, Chiquinho e Maricotinha se fazem presentes, confortando as crianças em momentos de dor. Foi por isso que, certa vez, chegou à escola o relato da mãe de um aluno de 5anos:

Depois do susto vêm o alívio e a surpresa de duas visitas muito especiais…

Quando Dimi estava se recuperando no Neo Center do Hospital, dois amiguinhos muito especiais o aguardavam na sala de espera: Chiquinho e Maricotinha.

A ansiedade era tão grande em rever seus amiguinhos que Dimi mal podia aguentar.

– Mãe, eles estão lá fora? Com quem? Quando poderão entrar? Eles já foram embora ou ainda estão lá?

Foi no sábado pela manhã que os amigos se reencontraram. Ah, que momento especial!…Chiquinho, Maricotinha e Dimitri, todos juntos deixaram o hospital rumo à casa de Dimitri, onde ficaram por uma semana. Brincaram muito, bateram longos papos, assistiram a filmes e conheceram a família de seu amiguinho… Foi uma semana realmente especial!

Chiquinho e Maricotinha, foi muito bom ter vocês comigo…

Muito obrigado pela agradável companhia! Abraços do amiguinho Dimitri.

 

Chama a atenção o amor das crianças pelos bonecos. Ao passarem pela sala da assessora educacional, têm sempre um gesto de carinho para com eles.

As crianças também manifestam o que sentem:

 Se a professora chama para fazer fila e o colega fala pra você sair correndo, você tem que dizer “Não!”, porque isso é coisa que não se pode fazer. Se a mãe não deixa ir na casa do colega, não precisamos ficar tristes, é só combinar um outro dia.
Muito obrigada por ensinarem tantas coisas boas para a gente! Todos nós gostamos muito de vocês!
Camila – 1o ano

 

Com Chiquinho e Maricotinha, aprendi que a gente deve falar coisas boas. Não devemos imitar as coisas erradas que os outros fazem. Aprendi que devemos ajudar os colegas. E que devemos ter pensamentos bons.

Rafael Araújo – 1o ano

 

A infância deve receber imagens coerentes com a sua na- tureza – que é pura, singela, doce, alegre –, e deve ser pre- servada daquelas que a agridem. Enquanto as primeiras podem se tornar fonte inspiradora para sua formação hu- mana, as últimas podem desviá-la do bom caminho.

Penetrar no delicado mundo imaginário infantil permite ao professor vivenciar junto às crianças momentos subli- mes, encontrando nele recursos naturais para estimular o bem e favorecer o desenvolvimento do potencial mental e sensível das crianças. O trabalho educativo é altamente facilitado, tendo as próprias crianças como participantes ativas de sua educação.

 

Mayra Castro de Miranda Araújo

Vice-Diretora Pedagógica do Colégio Logosófico – Unidade Funcionários/Belo Horizonte. Pedagoga. Pós-graduação em Metodologia do Ensino Fundamental. Mestre em Educação Tecnológica pelo CEFET-MG.

Eliana Ulhôa Godoy

Coordenadora pedagógica do Curso Infantil do Colégio Logosófico – Unidade Funcionários/Belo Horizonte. Mestre em Educação Tecnológica pelo CEFE T-MG.

Luciene Linhares Araújo

Pedagoga e Assessora Educacional do Ensino Médio do Colégio Logosófico – Unidade Funcionários/Belo Horizonte.

Maria Lúcia da Silveira

Ex-integrante do corpo docente do Colégio Logosófico – Unidade Funcionários/Belo Horizonte, onde atuou por 35 anos. Exerce funções docentes como membro do Conselho de Administração da Fundação Logosófica do Brasil.

Renata Miquelão Pena

Pedagoga e Assessora Educacional da Educação Infantil do Colégio Logosófico – Unidade Funcionários/Belo Horizonte.


 
 

Receba Nossos Informativos

Cadastre seu email para receber nossos informativos com novos artigos, livros e conteúdos exclusivos.