Ensinando as crianças sobre o poder de adaptação
26 de novembro de 2018 | Alessandra Machado Pereira Salles

 

O conhecimento de si mesmo é essencial na prática pedagógica do docente. Como pedagoga e estudiosa em Logosofia vislumbro a importância desse saber e anelo sempre ter uma atuação que favoreça, de forma ampla, o desenvolvimento biopsicoespiritual de meus alunos.

Na criança, o caráter está em formação e os estímulos positivos que nela operam colaboram para o aperfeiçoamento e a máxima capacitação moral.

González Pecotche nos ensina que “A criança é argila moldável na qual uma mão amorosa, firme e segura pode ir delineando perfis formosos, polindo arestas formadas em sua curta passagem pela vida ou corrigindo falhas de uma psicologia anterior.

Esses conhecimentos fortalecem a condição das crianças como seres em formação e a responsabilidade dos docentes no sentido de selecionar os elementos e estímulos necessários à boa formação de seu caráter.

O que tenho feito com essa argila moldável que está em minhas mãos para ser modelada? Que figura quero formar? Uma figura bela, uma obra de arte, ou uma massa disforme, incapaz de ser comtemplada e individualizada?

Tenho observado, muitas vezes, que a primeira barreira para encararmos questão de tamanha transcendência é a nossa falta de conhecimento; falta de conhecimento do nosso mundo interno. Como ensinar a criança a experimentar algo que ainda não experimentei?

Com o objetivo de vivenciar um dia-a-dia enriquecido pela pedagogia logosófica e proporcionar aos meus alunos uma atividade incessante rumo à capacitação e ao aperfeiçoamento, tenho me empenhado em realizar um planejamento que proporcione um maior conhecimento de si mesmo.

Assim, recentemente vivi com eles uma rica experiência: todos nós fizemos um esforço para viver um dia consciente e bem planejado. Ela mostrou-me que quando estou atenta ao meu mundo interno, mesmo os imprevistos podem ser motivo de investigação e aprendizagem, possibilitando-me trabalhar com um novo conceito: o da adaptação.

Após viver um imprevisto em uma situação planejada, vi-me diante dos meus alunos com a responsabilidade de comunicar-lhes algo que não aconteceu como o esperado. Eles haviam preparado biscoitinhos na cozinha experimental e aguardavam ansiosos pelo momento de saboreá-los. Os biscoitinhos queimaram e eu precisava encontrar uma forma de contar a eles.

Antes de fazer a revelação, trabalhei o conceito de adaptação e lhes revelei uma experiência que havia vivido com o respaldo desse conceito. Mostrei-lhes que, praticando-o, fica bem mais fácil entender e encaminhar os imprevistos. E quando lhes revelei o que havia ocorrido com a fornada de biscoitos, deparei-me com crianças tranquilas e compreensivas.

Ao longo desse ano já vivemos alguns imprevistos com relação ao planejamento do dia e em todas as circunstâncias os alunos puderam experimentar, novamente, o poder da adaptação, mostrando-me que o conceito foi compreendido e, dessa forma, podia ser aplicado com consciência. E em outros momentos identificaram imprevistos nos quais a adaptação seria imprescindível.

Pude concluir que o trabalho com os conceitos é muito importante, pois as crianças precisam compreendê-los para que consigam assimilá-los, aplicá-los à vida, sempre que necessário.


 
 

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