Educando para a vida consciente
22 de abril de 2017 | Ângela Maria da Silva

A pergunta principal, lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD) e respondida por cerca de 500 mil brasileiros, foi a seguinte: O que precisa mudar no Brasil para sua vida mudar de verdade?

 

Esforços direcionados para a vida interna do educando

Segundo os pesquisadores do PNUD, apesar de a educação ter sido o item mais lembrado pelos brasileiros, o que estão cobrando é bem mais do que um desempenho melhor nos currículos tradicionais. Afirmam que a escola deveria participar da transmissão de valores.

Mas é possível exercer a arte de ensinar sem conhecer o funcionamento do “equipamento mental” do aluno? É possível ensinar sem os conhecimentos básicos da estruturação mental e sensível que caracteriza cada indivíduo envolvido nesse processo, ou seja, tanto de quem ensina quanto de quem aprende? É possível ensinar sem conhecer os agentes causais do comportamento humano?

Com o avanço tecnológico, somos diariamente confrontados com uma grande massa de informações e, a cada momento, novos progressos e descobertas surgem. E vale muito perguntar: O que é necessário para que nossas crianças e jovens aprendam a selecionar o que real- mente seja importante para eles? Que estudos deverão realizar para que sua inteligência seja ativada adequadamente, a ponto de melhor entenderem essas informações e fazer delas um uso para o bem de si próprios e dos demais?

A defasagem entre o progresso material e o progresso espiritual é gritante e atentatória à preservação do equilíbrio do ser em todos os sentidos. Em muitos casos, o avanço material chega até mesmo a co- locar em perigo a estabilidade da superação já alcançada, como o demonstram os sucessivos conflitos bélicos entre povos. Mais do que nunca, no mundo de hoje os esforços educativos devem ser direciona- dos para a vida interna do educando. É ali onde a ação educacional deve centrar seu objetivo maior para a formação consciente da individualidade dos alunos.

 

Preponderância da imaginação e da memória

Uma concepção limitada de educação tem trazido como consequências a frieza nas relações humanas, a condução de uma vida restrita às conquistas materiais, a subutilização dos próprios recursos in- ternos. Por isso mesmo, tem levado as pessoas a se contentarem com prazeres físicos efêmeros, vivendo na instabilidade e vulnerabilidade de seus pensamentos, temerosos cada vez mais diante do futuro.

Segundo a Pedagogia Logosófica, a imaginação e a memória são as faculdades da inteligência que, na maioria dos seres, atuam com maior frequência. As demais faculdades sempre trabalharam e trabalham por necessidade ou por alguma urgência, observando-se nelas sempre uma acentuada insuficiência, devido à sua habitual inércia.

Como se poderá ensinar conscientemente sem o conhecimento dessa influência permanente exercida pelo mundo mental? Por acaso não estamos sentindo os efeitos dessa influência no dia a dia de nosso mundo interno, dos ambientes familiares, das salas de aula? Não é esse o cenário descortinado em todos os países?

Por outro lado, é imprescindível que as gerações de professores conheçam a in- fluência do mundo mental que envolve e permeia a vida de todos nós, influindo poderosamente nela, para que possam levar os frutos desse precioso conhecimento a seus alunos. A pedagogia aplicada nas unidades escolares do Sistema Logosófico de Educação oferece um conjunto de conceitos e conhecimentos relacionados à vida interna do ser humano, bem como ao seu processo de evolução consciente. É fundamental que o docente realize tal experiência, com consciência do processo que ocorre dentro de si mesmo.

 

Professores como exemplos e estímulos para a superação

Os princípios dessa pedagogia são de fácil assimilação e prática, pondo-se ao nível do entendimento do aluno. Possibilitam-lhe realizar por si mesmo mudanças continuadas e positivas na conduta, no modo de ser, no modo de pensar e sentir, no modo de atuar, capacitando-o para o pleno exercício de uma vida superior à vulgar. Nesses princípios, sempre vamos encontrar uma infinidade de recursos que nos enchem a vida de estímulos, desenvolvendo-nos equilibrada e ilimitadamente a inteligência e a sensibilidade.

A adoção pelos povos dessa estratégia educacional de voltar sua ação também para o mundo interno do educando – e não somente para o mundo externo, como tem sido feito até o presente momento – haverá de trazer inúmeros resultados de valor na formação de suas atuais e futuras gerações. É ali, no mundo interno, onde estão os grandes recursos para alavancar uma educação baseada na verdadeira superação humana, rumo à educação de qualidade tão sonhada e perseguida no mundo educacional.

Os Colégios Logosóficos são, portanto, um campo de aprendizado para alunos e docentes; um ambiente propício à pesquisa, onde os alunos têm os seus professores como exemplos e estímulos para a própria superação.

Dessa forma, todas as matérias curriculares têm um objetivo principal: proporcionar ao aluno o conhecimento de si mesmo, de seus semelhantes, da Criação como um todo e de seu Criador, de forma a fazer dele um ser de valores mentais, morais e espirituais elevados, um ser capaz de contribuir para a construção de uma humanidade melhor.

 

Angela Maria da Silva

Diretora-Geral do Colégio Logosófico – Unidade Rio de Janeiro. Mestre em Educação, com especialização em Administração Escolar e Orientação Educacional pela UFRJ. Conferencista na área de Educação.

 

Referência: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca


 
 

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