Depoimento de ex-aluno – Marise Carvalho França
31 de janeiro de 2016 | Marise Carvalho França

Difícil selecionar, entre tantos momentos vividos nesta querida escola, alguns poucos para relatar e traduzir a importância de cada um deles na minha vida.

Quando aqui cheguei, tinha apenas 1 ano e 8 meses. Trazida pelas mãos de minha mãe, então professora desta escola, usando um uniforme xadrezinho, conga azul, laço de fita vermelha no cabelo, vinha feliz, acompanhada de minha irmã mais velha. Segundo alguns relatos, já naquela época, gostava de cuidar de meus coleguinhas. Pedia às professoras para fazer ventinho na hora do repouso, ajudava os que estavam chorando e gostava de entregar os materiais das atividades.

As lembranças se misturam com algumas fotografias. Recordo-me do pátio e de como cuidávamos das plantas, sempre usando o regador para aguá-las. (Existe a foto). As brincadeiras de roda, as músicas, as festas.

Ao longo dos anos, vivi muitas coisas. Descobri habilidades, pensamentos, fui muito ajudada nas minhas dificuldades, amparada sempre por um conselho amigo, afetuoso, muitas vezes um colo.

Recordo-me de algo que vivi na antiga 4ª série. Tinha uma professora muito afetuosa, suave, tranquila. A voz sempre baixa, nunca se alterava. Certa vez, ao receber uma prova, deparei-me com uma questão que havia errado. A professora comentava as questões. Sem maldade, peguei o lápis e escrevi a resposta correta. Não cheguei a desmanchar o que havia escrito antes. Não ia mostrar à professora, mas um colega, passando pela minha mesa, viu que a resposta estava correta e falou com a professora. Minhas bochechas ficaram vermelhas naquele segundo. O coração disparou e eu não sabia o que fazer. Teria que contar a ela que eu havia escrito depois que ela entregara a prova. Como ia fazer isso? Ela me chamou na porta da sala e, abraçando-me, logo percebeu o que se passava em meu interno. A luta era visível em minha fisionomia. Sabendo de minha timidez, com muita calma, pegou a prova de minhas mãos e me perguntou o que havia acontecido. Falei com a voz trêmula e muito baixa. Ela simplesmente falou que não via problema algum, que entendeu que eu só queria ver como ficaria a resposta correta. Me deu um beijo e me falou para eu voltar ao meu lugar.

Que correção! Por que esse momento nunca se apagou de minhas lembranças? A suavidade, a compreensão, a penetração psicológica…

O pensamento que me fez tremer, ficar vermelha, sentir o coração disparar, atuou muitas outras vezes durante minha vida escolar. Vários professores, observando essa dificuldade, tratavam de me apoiar e me oferecer oportunidades para enfrentar o temor e colocar em seu lugar o valor, a valentia. Com o tempo fui me tornando mais expansiva, confiando naquilo que eu sabia e aprimorando minha forma de me manifestar. Algumas vezes recebia elementos das coordenadoras, observações e estímulos para continuar me esforçando. Quando já estava na faculdade, sempre que tinha que apresentar algum trabalho, meus colegas me pediam ajuda e valorizavam a facilidade que tinha para falar. Eu sei o quanto me esforcei e precisei de ajuda para ter essa “facilidade”!

Sou muito grata a tudo o que vivi nesta escola. O carinho com que era tratada, as observações e correções feitas sempre para me ajudar, o preparo para a vida, enfim, tudo o que contribuiu para que hoje eu seja um ser melhor, mais atuante e consciente de minha missão, agora ocupando o outro lado da sala de aula.

Obrigada pela oportunidade!

 

Marise Carvalho França


 
 

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