Conceitos bem práticos estimulam a atividade
31 de janeiro de 2016 | Maria Fernanda Souza Melo

Naquela turma, eu me via à frente de alunos que apresentavam características comuns à idade: alegria, entusiasmo, interesse por aprender, gosto por descobrir coisas novas. Apesar disso tudo, diante das tarefas que lhes exigiam mudar de pensamento e fazer um esforço novo, respondiam com um sonoro Ah, não, professora!

Desânimo e preguiça explicavam tudo, e é mesmo muito comum que crianças e adolescentes mostrem dificuldade em deixar a atividade em que estejam engolfados com prazer para realizar uma tarefa nova que os convide a mover a vontade noutra direção. Mas sabemos serem essas duas condições básicas para os avanços que queremos fazer nos estudos e na vida: esforço e atividade.

Certa de que poderia auxiliar meus alunos nesse particular, levando-os a associar compreensivamente o ternário vida-atividade-esforço, planejei algumas conversações e intervenções para trabalhar o assunto.

TEMPO E EMPENHO PARA CONSEGUIR AS COISAS BOAS

Iniciei uma das conversações com a pergunta:

–O que é a vida para vocês?

Algumas mãozinhas começaram a se levantar para arriscar a resposta.

–Vida é o que a gente vive.

–Vida é para levantar, tomar o café da manhã, fazer muitas coisas e voltar a dormir.

Uma aluna respondeu com elementos que iam além:

–A vida é para crescer e aprender.

Aproveitei para perguntar:

– Será que é possível crescer com saúde e sem se alimentar bem, sem ter hábitos de higiene, sem exercitar o corpo?

Responderam que não.

– Então, não dá para ficar esperando, parado, pelo crescimento do nosso corpo, não é mesmo?

Concordância geral.

– E para aprender? – continuei perguntando. –Será a mesma coisa? Entre as respostas, uma agradou muito às crianças:

– É, não tem jeito de aprender a letra cursiva se ficar só olhando a professora escrever. Tem de fazer, também.

Mas um outro tinha uma ressalva:

– Só que fazer a letra cursiva dói a mão!

Aproveitei para completar que não haveria a conquista da letra cursiva se eles não fizessem esforço, não tivessem paciência e não vencessem os incômodos. E ampliei, com analogias, para a vida como um todo.

– Vocês sempre vão precisar de tempo e empenho para conseguir as coisas boas que quiserem! – completei.

Com reflexões como essas, foram concluindo pela necessidade de dividir o tempo para realizar muitas coisas importantes e, assim, aproveitar bem a vida.

O trabalho sobre o conceito de vida se estendeu por boa parte do ano letivo. Foram realizadas diferentes atividades, com a utilização de variados recursos.

 

APRENDENDO A FAZER TODAS AS COISAS COM GOSTO

Numa delas, pedi aos alunos que escrevessem em pequenas tiras de papel as atividades que realizavam ao longo do dia: acordar, vir para a escola, fazer os deveres de casa, frequentar aula de natação e de futebol, conversar com o papai e a mamãe, brincar, etc. Alguns usaram muitas tiras, e outros, menos. Eles se surpreenderam com a quantidade de coisas que faziam em um só dia.

Pedi que examinassem bem as fichas e escolhessem, dentre aquelas atividades, apenas as que mais gostavam de fazer. Em seguida, fiz esta pergunta:

– O que aconteceria com a vida se nós só fizéssemos nossas atividades preferidas?

Muitos manifestaram que seria muito bom. Mas alguns aspectos que surgiram durante a conversação sobre o aproveitamento do tempo fizeram com que todos fossem percebendo que suas vidas ficariam muito limitadas se tivessem só diversão. Viram que, se não houvesse os momentos de estudo, não poderiam ampliar seus conhecimentos sobre tudo que os cercava; se não colaborassem em casa, não desfrutariam muitos momentos agradáveis junto dos familiares; se não cuidassem dos brinquedos e dos bichinhos de estimação, não teriam por muito tempo a companhia gostosa deles…

E as mudanças da turma foram também percebidas pelos demais professores que os acompanhavam em outras áreas.

Com reflexões como essas, foram concluindo pela necessidade de dividir o tempo para realizar muitas coisas importantes e, assim, aproveitar bem a vida.

Dei muitos exemplos para ilustrar o conceito de que a luta é lei da vida, havendo sempre, e para todas as pessoas, os desafios, as dificuldades, os incômodos, e que lhes cabia enfrentar cada um deles com boa disposição e valentia. Levei elementos sobre o bom que é aprendermos a fazer todas as coisas com gosto, enfrentando com alegria os desafios, lembrando que o objetivo principal de nossa existência é a conquista do saber, o aperfeiçoamento, a evolução.

Ao final de todo esse trabalho, foi possível observar naqueles alunos bem maior boa disposição e iniciativa para muitas ações desenvolvidas em sala. Em diversas situações, pude comprovar o empenho e a concentração deles na realização das atividades. E as mudanças da turma foram também percebidas pelos demais professores que os acompanhavam em outras áreas.

 

Maria Fernanda Souza Melo

Professora do Colégio Logosófico – Unidade Cidade Nova. Pedagoga.

Pós-graduada em Psicopedagogia pela CEPEMG e em Neuroeducação pela CEFAC.


 
 

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