A realidade dos pensamentos em todos os níveis de ensino
31 de janeiro de 2016 | Rosandra Hübbe

Antes de conhecer a Logosofia não tinha a real compreensão da importância dos pensamentos em minha vida. De acordo com a Sabedoria Logosófica os pensamentos são entidades autônomas que procriam e adquirem vida ativa na mente humana, de onde em seguida podem passar para outras mentes sem a menor dificuldade. Daí que muitas pessoas, sem se darem ao trabalho de pensar, aparecem emitindo não poucas opiniões.

Dessa forma, ao observar e refletir sob a luz desse novo conceito, venho compreendendo que a vida e a felicidade estão, diretamente relacionadas com a qualidade de pensamentos abrigados na mente. Nas primeiras experiências de aplicação do conhecimento logosófico percebi a necessidade de compartilhá-las com as pessoas com as quais convivo e, de uma forma muito especial, em minha vida profissional.

Sou professora dos anos iniciais do Ensino Fundamental há 26 anos e do curso de Pedagogia da Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul. Grande parte da minha vida tem sido dedicado à educação e, ao realizar o estudo logosófico, objetivando a minha superação, fui tendo consciência da riqueza que seria levar um pouco do que estudava para os meus alunos.

Um trabalho realizado foi o de levar às crianças noções sobre o mundo dos pensamentos. Trabalhamos com as crianças os tipos de pensamentos (positivos/negativos, úteis/inúteis), a influência dos pensamentos alheios em nossa vida, o pensamento como gerador de nossas ações… Para desenvolver esse trabalho, foi utilizada a história “Chico, o valente”, da autora Jaqueline Miotto Zolet. O texto deu subsídios para refletir com as crianças sobre a atuação dos pensamentos e o quanto pode-se ser valente, enfrentando um pensamento ditador e vencer a luta interna, assim como o Chico, personagem da história. Após o trabalho com o texto, os pequenos alunos se dispuseram a realizar também esta luta interna. Por meio do esforço refletido em sua conduta, a sala de aula foi ficando repleta de crianças valentes. Não havia mais só o Chico valente, mas o Lucca valente, a Paula valente, o Guilherme valente, o Gabriel valente, a Maria Luiza valente…

Compartilhei, então, esta atividade com minha turma do ensino superior do curso de Pedagogia. Para minha alegria, o assunto ganhou interesse de uma equipe de alunas que entraria em estágio. As universitárias, no campo de estágio, durante os dias de observação, constataram que as crianças se sentiam inseguras para participar das aulas. Várias vezes perceberam que a professora tentava estimular que as crianças expusessem suas ideias, mas de nada adiantava, o medo era maior ainda.

Para a Sabedoria Logosófica entre os pensamentos que costumam dominar a mente, estão também os de temor ou de medo, sobre os quais a Logosofia exerce decidida influência, pressionando-os com energia, para que surja a segurança com que devem ser enfrentadas todas as situações.

Com esta constatação, as acadêmicas desenvolveram um projeto de intervenção de estágio com o objetivo de que as crianças pudessem se expressar, oralmente, de forma mais segura, no ambiente escolar, evidenciando mais confiança e vencendo um pouco mais o desafio da inibição.

Elas deram início ao trabalho perguntando às crianças: “Quem aqui na sala quer ser um herói?” A resposta foi unânime. Todos manifestaram com muita empolgação a vontade de se tornar um. Neste momento, houve a necessidade da intervenção da professora, pois era fundamental conhecer o conceito que cada criança tinha sobre um herói. Em geral, a mente da criança é povoada por personagens imaginários, geralmente o herói a quês e referem é cheio de poderes mágicos. Sendo assim, as estagiárias passaram a refletir sobre as diferenças de um herói imaginário e um herói verdadeiro. Foram destacados algumas características de um herói de verdade: ele sabe pensar antes de agir, ele consegue controlar seus pensamentos, ele que ajudar e ser melhor a cada dia…

Com esses novos conceitos, as crianças começaram a identificar que tais pensamentos também estavam em suas mentes e que pensamentos podem entrar e sair de nós mesmos. As estagiárias passaram a chamar atenção dos alunos, para perceberem a entrada e saída dos pensamentos em suas mentes, a defenderem-se, escolhendo os que queriam e compreendiam ser os melhores. Ao final de cada aula, elas incentivavam as crianças a fazerem uma avaliação das atitudes. Aos poucos, os alunos pouco participativos, passaram a se sentir mais à vontade para falar sobre suas dificuldades.

Particularmente todas as experiências obtidas vem me fazendo compreender que só podemos ser donos de nós mesmos, ser administradores da própria vida, estar no comando dela, quando pensamos, quando escolhemos e selecionamos somente os pensamentos afins com os nossos nobres objetivos de vida.

 

Rosandra Schlickmann Sachetti Hübbe

Professora MSc UNISUL e Colégio Dehon – Tubarão/SC
Docente da Fundação Logosófica


 
 

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