A importância do ambiente escolar na formação da criança e do jovem
31 de janeiro de 2016 | Juliana Zaroni Rabelo de Morais

A  Pedagogia Logosófica preconiza que o ambiente adequado para o crescimento da criança e do jovem deve ser cálido, agradável, marcado pela compreensão e pela ausência de agressões.

O mundo passa por um momento crítico, em que não são poucos os sinais de declínio da cultura vigente. Cotidianamente, a grande maioria das pessoas vive sua rotina voltada para o acúmulo de capital, de bens materiais e para o desenvolvimento de hábitos e costumes que estimulam a falta de vontade, a inércia e a despreocupação em relação aos aspectos superiores da vida, como partes de um todo cada vez mais competitivo, individualista e intolerante.

Nesse cenário, os educadores tentam desenvolver sua atividade, visando à formação de seres que possam reagir a tal situação, estimulando não só o estudo das disciplinas que compõem o currículo escolar, mas o exercício das faculdades da inteligência e da sensibilidade, para que se tornem seres que pensem e sintam de maneira mais ampla.

Porém, a tarefa não é fácil. Como “competir” com elementos que estimulam tão fortemente o consumo desenfreado, a cultura do fácil, o descrédito aos semelhantes? E tudo isso influenciando de maneira negativa a formação de crianças e jovens? Como evitar que pensamentos de violência, rivalidade e desrespeito – tão divulgados nos dias atuais – tirem força do processo educativo do aluno?

Um dos aspectos apresentados pela Pedagogia Logosófica é a importância do ambiente para a formação das crianças; este deve ser propício à utilização de seu livre- arbítrio, de maneira consciente, e constituir-se num convite constante para que ela sinta vontade de contribuir para a reestruturação da sociedade em que vive. Desse modo, propiciar na sala de aula um ambiente de tolerância e de respeito, onde o afeto e a liberdade possam prevalecer nas relações, é uma maneira de transformar a escola no campo experimental de um novo modo de relacionamento.

A Pedagogia Logosófica preconiza que o ambiente adequado para o crescimento da criança e do jovem deve ser cálido, agradável, marcado pela compreensão e pela ausência de agressões. Dessa maneira, entende-se que a conduta docente, se marcada por atitudes gentis, equilibradas e alegres, estimula a colocação mais adequada do aluno perante os colegas e, sobretudo, perante si mesmo. Afinal, não é possível oferecer a terceiros aquilo que não se é capaz de exercitar na própria psicologia.

Não se deve esquecer a força que a figura docente exerce no ambiente da escola, servindo como exemplo de conduta, esforço e perseverança na busca do conhecimento.

A instabilidade mental, tão comum na juventude, perde força quando os alunos se vêem acolhidos pela escola, sentindo-se estimulados a realizar as tarefas escolares, a respeitar os companheiros e seus professores.

Estimular a organização do espaço físico da escola e o cultivo de pensamentos conciliadores, permitindo que a tolerância, o afeto e o respeito funcionem como elementos de coesão em tudo o que envolve o processo de aprendizado, é instituir um ambiente que haverá de nutrir esse processo. Permite-se, assim, a atuação da consciência, sobretudo se a mente, livre da influência de pequenos conflitos, for preservada quanto à livre atuação das faculdades da inteligência. Este esforço de organização interna tem como resultado a redução da influência do instinto na conduta dos alunos.

Um ambiente de serenidade, bem-estar e limpeza moral favorece a educação de crianças e jovens, permite gerar energias que proporcionem à mente melhores condições para o desenvolvimento do ser, estimulando o pensar e o sentir conscientes.

Ainda que isso não seja fácil, não se deve esquecer a força que a figura docente exerce no ambiente da escola, servindo como exemplo de conduta, esforço e perseverança na busca do conhecimento; é preciso que o professor seja exemplo de alguém empenhado em sua própria superação e verdadeiramente dedicado à tarefa de contribuir para a superação dos demais. Cabe ao professor estimular o aluno mediante uma postura diferenciada, inspirá-lo com atuações que favoreçam não só o seu processo de aprendizagem, mas também o seu próprio desenvolvimento como ser humano.

Afinal, não há tarefa que nos deixe mais felizes e realizados do que a de favorecer que os demais também possam ser muito felizes.

 

Juliana Zaroni Rabelo de Morais

Bacharela e licenciada em Língua Portuguesa e Literatura / Professora do Colégio Logosófico – Unidade Rio de Janeiro


 
 

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